Imagens em maços reduzem o fumo, dizem cientistas

A forma mais eficaz de convencer um fumante de que ele precisa largar o vício é colocar imagens chocantes nos seus maços de cigarro, afirmam cientistas britânicos.

A conclusão, do instituto de pesquisas anticâncer britânico Cancer Research UK, foi apresentada durante a Conferência Mundial Tabaco ou Saúde, que reúne cientistas de 15 países em Helsinki, na Finlândia.

Como exemplo, os cientistas mostraram algumas imagens usadas nos cigarros canadenses – entre elas, a de um pulmão tomado por um câncer. Abaixo, lê-se a informação: “85% dos casos de câncer de pulmão são causados pelo cigarro; 80% das vítimas morrem em três anos”.

O material que foi usado como exemplo é semelhante ao que existe nos maços de cigarros brasileiros.

Mas um dos cientistas que cobraram uma “estratégia de choque” para combater o fumo alertou para o risco de os fumantes não empatizarem com campanhas muito agressivas.

“Há um equilíbrio delicado. É necessário atrair atenção, mas nós queremos que os fumantes interajam com os avisos, e não que se sintam vitimizados”, afirmou Elinor Devlin.

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Uma das formas sugeridas pela equipe britânica é colocar mensagens oferecendo ajuda junto com as imagens – por exemplo, uma linha telefônica para quem quer largar o cigarro.

Fumantes que participaram do estudo disseram que também gostariam de ter mais informações sobre os danos que o cigarro causa à saúde dentro dos maços de cigarro.

Os cientistas dizem que advertências apenas escritas – como as que são colocadas em maços em alguns países europeus – também funcionam, embora com menor eficácia.

Ainda assim, eles alertam que essas mensagens têm uma vida mais curta porque o fumante tende a se “acostumar” com as mensagens. Ou seja, para que tenham impacto, essas mensagens precisam ser constantemente trocadas.

Mas o Cancer Research UK diz que, desde que a Grã-Bretanha introduziu avisos maiores nos maços, mais pessoas passaram a procurar ajuda para parar de fumar.

Cerca de 5 milhões de pessoas morrem por ano por causa de doenças ligadas ao fumo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo dados apresentados na conferência, que começou no domingo, esse número deve dobrar nos próximos anos.

Fonte: BBC Brasil