Aumenta o número de mulheres fumantes

Uma pesquisa realizada pela Abraço (Associação Brasileira Comunitária Para a Prevenção do Abuso de Drogas) com o apoio do Instituto Vox Populi e da CNT (Confederação Nacional de Transporte), em todo o Brasil no ano de 2000, mostrou que houve uma diminuição do número de fumantes no país, em torno de 3 milhões na década de 90 em relação à década anterior de 80, apesar do aumento da população nesse período.

Essa diminuição ocorreu em todas as faixas etárias inclusive entre os jovens e em todo o tipo de população, exceto no sexo feminino. Neste, houve um aumento passando, de cerca de 18%, para 25% o percentual de mulheres fumantes. Como o número total de fumantes no país gira em torno de 31 milhões, verifica-se que quase 8 milhões são mulheres.

Existem várias implicações nesse problema que tornam a situação mais grave. Um deles é que, geralmente, as mulheres ficam mais tempo dentro de casa do que os homens, prejudicando, com o chamado tabagismo passivo, aqueles que com elas convivem, principalmente os filhos. Isto sem falar no mau exemplo, pois a mãe que fuma perde muito de sua autoridade diante de seus filhos, principalmente para lhe falar sobre os males provocados pelo uso de outras drogas.

Além disso, há outros fatores em relação a mulher fumante que devem ser levados em consideração. Por exemplo, se a mulher fuma durante a gravidez, há prejuízos para o feto e o nascituro pode ter o tamanho e o peso diminuídos, com reflexos no seu desenvolvimento físico e mental. Já existem pesquisas indicando que, quando a mãe fuma, a possibilidade de ter filhos fumantes é maior do que a do pai fumante.

No que diz respeito às doenças, a mulher fumante fica mais sujeita á osteoporose e tem dobrada a sua possibilidade de vir a sofrer infarto do miocárdio. Essa probabilidade aumenta ainda mais quando a mulher fumante usa anticoncepcionais.

É importante observar que, até há algumas décadas, o câncer do pulmão era raro entre as mulheres. Hoje, é o segundo tipo que mais mata mulheres, só perdendo para o câncer de mama. Enquanto a taxa de mortalidade desse tipo de câncer cresceu cerca de 55% entre os homens, ele cresceu mais de 100% entre as mulheres. Ao que parece, existe nesse caso a intervenção dos hormônios femininos, os estrogênios.

Outro fato sugestivo, é a preferência feminina pelos chamados cigarros de baixo teor, que têm menos nicotina e alcatrão e, por isso, são chamados de light ou cigarros suaves. Em toda a história do tabagismo nunca houve farsa maior do que essa dos cigarros de baixo teor. O fato é que, o tabagista dependente, está acostumado com uma certa quantidade de nicotina circulante no sangue que deve ser reposta em intervalos regulares. Quando ele passa a fumar o light, o teor de nicotina diminui e o fumante tende a repô-lo fumando um maior número de cigarros, com maior regularidade, isto é, aumenta o número de cigarros que fuma. Além disso ainda numa espécie de compensação , o fumante tende a inalar mais profundamente a fumaça, prende mais a respiração, além de aumentar a quantidade de baforadas, fatos esses muito prejudiciais aos pulmões que anulam qualquer possível benefício dos menores teores de nicotina e alcatrão. É evidente também que, se o fumante fuma maior número de cigarros suaves, ele está comprando mais, o que é extremamente interessante para a economia das tabaqueiras.

Sobrepondo-se a tudo isso, há ainda a apresentar o fato de que, não se sabe por que razão exata, as mulheres têm mais dificuldades em largar de fumar do que os homens. Um estudo feito pelo Incor (Instituto do Coração) de S. Paulo mostrou que, de 100 pessoas tratadas com os adesivos de nicotina pura, 50% dos homens deixaram de fumar, enquanto que das mulheres, somente 32% o conseguiram. Talvez a maior possibilidade de solidão e de estresse no sexo feminino explique isso.

De qualquer maneira, tanto para homens quanto para mulheres, a Abraço mantém cursos especiais para quem quer largar de fumar, com resultados bem razoáveis que nos estimulam a continuar na nossa luta contra o tabagismo.

Fonte: Diário da Tarde