Estimulantes estão entre as drogas mais consumidas por estudantes

As anfetaminas (estimulantes) estão entre as três drogas psicotrópicas mais consumidas entre os estudantes no Brasil, ao contrário do que acontece na maioria dos países, onde o uso dessas substâncias é mínimo. O consumo dessas drogas atingiu 4,6 doses diárias definidas (DDD) por 1.000 habitantes ao dia, em 1988, segundo dados do Ministério da Saúde, e aumentou 43,8% em 1989. De acordo com um relatório do Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas (PNUCD), esses índices podem ser triplicados, se considerada apenas a população com acesso a medicamentos.

O relatório, que é divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), mostra pesquisas feitas durante os seis anos de atividade do programa no Brasil. Além de informações sobre o consumo de drogas, aponta o trabalho realizado nessa área por órgãos governamentais e analisa a situação sócio-econômica do País.

Quanto à maconha, não existem no Brasil pesquisas sobre os hábitos de consumo, impedindo uma visão clara da situação dessa droga, informa o ddocumento. Sabe-se, no entanto, que cerca de 25.000 quilômetros quadrados são destinados à produção da maconha com objetivos comerciais, em plantações pequenas, mas numerosas.

A produção e consumo mundial de cocaína está entre 700 e 1.000 toneladas ao ano, segundo o relatório. Cerca de 10% deste total transita por diversas rotas dentro do Brasil, antes de seguir para outros países. O consumo nacional é avaliado entre dez e 20 toneladas/ano.

O documento do PNUCD aponta também a falta de recursos disponíveis no País para combater o consumo de drogas. A Divisão de Repressão a Drogas (DRE) da polícia Federal conta com cerca de 500 funcionários, entre delegados, agentes e pessoal administrativo. O número ideal seria pelo menos cinco vezes maior, diz a ONU, que lembra: desde 1987 não são feitos concursos para a admissão de novos servidores. Além disso, as atividades operacionais de repressão são limitadas pela falta recursos.

O número de pessoas indiciadas por tráfico de drogas tem se mantido estável nos últimos dez anos, entre 2.000 e 3.000 por ano, de acordo com o relatório. Mas 80% dos indiciados são liberados antes do julgamento pelos tribunais, graças a recursos jurídicos como os dispositivos constitucionais de garantias individuais e outros problemas do sistema Judiciário, como sobrecarga de trabalho, número insuficiente de casas de detenção e de juízes.

O trabalho do Programa da ONU lembra que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Narcotráfico, instituída em 1991, concluiu suas atividades com uma relação de 53.000 indiciados por tráfico de drogas, nos últimos cinco anos, mas apenas 10% dessas pessoas continuam presas.

Pesquisa – Pesquisas feitas pela Escola Paulista de Medicina, e publicadas no documento, mostrou que a grande maioria dos estudantes de nível primário e secundário – 78,8% em 1987 e 73,8% em 1989 – jamais havia usado quaisquer substâncias psicoativas. Apenas uma minoria – 2,7% em 1987 e 3,5% em 1989 – usava drogas com freqüência. As pesquisas atingiram um universo de 52 mil estudantes e as drogas mais usadas foram, pela ordem, solventes ou inalantes, ansiolíticos, anfetaminas anorexígenas e maconha. A menos usada foi a cocaína.

Fonte: Estadão