Como prevenir e eliminar as DROGAS na vida do adolescente

O renomado psiquiatra Içami Tiba, que nos últimos meses, concedeu entrevistas para Tv Globo, Rede Tv!, Revista da Folha, Editora Abril, entre outros meios de comunicação conhecidos, discorre aqui sobre um tema polêmico e hoje cada vez mais presente nas conversas familiares: o uso de drogas pelos adolescentes. Em ANJOS CAÍDOS, Tiba fala sobre como os pais podem ajudar os filhos no caminho para se livrar desse mal, como descobrir se seu filho usa drogas e como melhorar o convívio familiar, sem repressões exageradas ou falta de limite. Veja aqui as boas dicas do psiquiatra, que já vendeu mais de 1 milhão de livros.

CLG: No seu livro Anjos Caídos, o Sr. discorre sobre um sistema inédito de prevenção ao uso de drogas, chamado Sistema de Prevenção em Rede. O Sr. poderia explicar com detalhes esse Sistema “Net” de Prevenção?

IT: Adolescentes têm turma, que às vezes, lhes é mais importante que a própria família. A turma se reúne e combina desde programas, a estratégias de como cada um deve enfrentar seus país quando surpreendidos. Os pais ficam enfraquecidos quando acreditam que isolar o filho da turma vai solucionar alguma coisa. Ao contrário do que pensam os pais, á turma tem de estar por perto para ser abordada quando necessário. Para isso, é importante que os pais conversem entre si. Neste ponto, a mãe já está desrespeitada pelos usuários. Assim como os jovens se reúnem, os pais também devem se unir, para que as famílias se ajudem mutuamente. A droga, assim como a turma de usuários, atinge quem a ela se submete. Como há pais de todos os tipos, uns são indiferentes, outros reagem contra, mas a maioria agradece e coopera.

CLG: A maioria dos usuários se inicia com drogas leves e, gradativamente, vão passando para as mais pesadas. Por que o senhor usa a expressão “Escalada ao abismo”?Quando se fala em escalada, a idéia básica é de uma subida. A subida traz a idéia de crescimento, de melhora, que não é o que se passa com os usuários de drogas. Cada vez que eles passam de uma droga para outra mais forte, estão piorando. Apesar do final desta piora ser a morte, preferi utilizar “Escalada ao Abismo” porque mostro o fluxograma dos usuários. É bastante comum ouvir que a maconha é a porta de entrada para outras drogas. Pelo fluxograma é possível perceber que ela é a 39 droga, antes dela, os seus usuários já passaram pelo álcool e pelo cigarro. Ainda pelo fluxograma, percebe-se que na realidade a escalada é uma descida, e a recuperação, uma subida. É mais difícil subir – recuperar-se – que descer – viciar-se.

CLG: Por que os país são os últimos a saberem que um filho está envolvido com drogas? Como perceber se um jovem está ou não utilizando-a?

IT: Porque o filho omite, mente e disfarça por saber que está fazendo algo que seus pais não aprovam e porque os pais acreditam que seus filhos jamais usariam drogas. O uso da maconha leva de 1 a 2 anos para ser descoberto, drogas mais pesadas e vícios maiores, levam menos tempo. Se os pais se dedicassem a ler mais sobre drogas, não seriam tão surpreendidos porque saberiam perceber, compreender e proceder caso encontrasse um filho envolvido com drogas. Este livro mostra importantes sinais e os métodos mais comuns de disfarçá-los, principalmente, da maconha. Antes da queda do rendimento intelectual (trabalho, escola), cai o rendimento afetivo (qualidade de relacionamento com a própria família, colegas e amigos).

CLG: Por que os adolescentes são mais vulneráveis á experimentação das drogas?

IT: Na infância busca-se a identidade familiar, na puberdade, a sexual e na adolescência, a pessoal e social. O adolescente, num segundo parto, quer tanto se testar quanto conquistar status social. A droga, então, funciona para saciar uma curiosidade, que vem sendo estimulada desde a infância, seja como auto-conhecimento, vivendo um prazer radical e temerário, seja como autonomia, para fazer o que antes não conseguia. Outro fator, é o desejo de não mais seguir somente os ditos familiares e, com tudo isso, alimentar sua auto-estima. Hoje, 90% dos viciados em cigarro começaram antes dos 19 anos de idade, demonstrando assim a vulnerabilidade físico-psíquica e a onipotência, próprias de um ser em formação. Todas essas condições favorecem o vício.

Entrevista concedida ao Café Livros da Editora Gente Ano 1, Nº 3