Traficantes agora tomam conta de clube municipal

O Centro Educacional e Esportivo (CEE) Gerdy Gomes, na Vila São Pedro, Zona Leste, está nas mãos dos traficantes. Além de dois homicídios ocorridos no local, que é administrado pela Prefeitura, os bandidos já ameaçaram matar os funcionários, quebraram vidros e janelas e roubaram um carregamento de leite para as crianças. Eles chegaram até a plantar um pé de maconha na unidade.

Os traficantes aterrorizam os usuários que, a cada dia, se afastam mais do clube municipal, a única opção de lazer do bairro. Além da ação dos criminosos, o CEE está caindo aos pedaços.

O campo de futebol e quadra estão funcionando em condições precárias, as piscinas estão sendo reformadas para tentar evitar o acesso dos vândalos, os brinquedos do playground foram retirados porque colocavam em risco a vida das crianças. A iniciativa privada não quer fazer parcerias para ajudar na recuperação do CEE justamente por causa da violência.

Por ironia, todo esse drama acontece a dois quilômetros de distância do Centro Educacional Unificado (CEU) Jambeiro, que oferece completa infra-estrutura de educação e lazer. “Nós não estamos conseguindo oferecer nada para a comunidade. Se o clube estivesse reformado e em condições de uso com atividades esportivas e de lazer, a própria população nos ajudaria a manter o centro. Tenho certeza que contaríamos até mesmo com o apoio dos bandidos”, disse o diretor da unidade Mário Inácio de Souza, de 48 anos, enquanto mostra uma pasta repleta de documentos que há dois anos envia sem sucesso para a Secretaria Municipal de Esportes (Seme), abordando os problemas de violência e solicitando as melhorias para a unidade. Ele foi exonerado na sexta-feira e aguarda comunicado oficial do seu desligamento.

Há dois anos quando assumiu o Gerdy Gomes, Souza se deparou com um pé de maconha plantado no jardim. Ele acionou a GCM que foi até a unidade e arrancou a plantação. Foi só o primeiro de vários problemas com os marginais. “Eles já me juraram de morte e apedrejaram o meu carro.”

As ameaças mais consistentes dos bandidos ocorrem quando são tomadas ações para tentar minimizar o tráfico e o uso de drogas dentro da unidade. No ano passado, ocorreram duas mortes no local. Em maio do mesmo ano, o entregador de merenda teve que dar aos bandidos uma caixa com 180 litros de leite.

O clube conta com três vigilantes que trabalham desarmados. Há quatro meses, quatro GCMs estão no local. Os guardas enviaram em setembro uma carta para a secretaria de Segurança Urbana. O documento informa que eles “são ameaçados de morte”. O clube tem cinco portões e todos ficam abertos por ordem dos traficantes. “Se fecharmos, ninguém garante a nossa vida”, disse um funcionário.

Fonte: Jornal da Tarde – Geral