LSD

Dietilamina do ácido lisérgico
É o mais conhecido e estudado alucinógeno sintético. Sua história é bastante descrita na literatura. Derivado de alcalóides do “ergot”, principalmente da ergotamina, os quais ocorrem naturalmente como produtos do metabolismo do fungo.
Claviceps purpúrea, o LSD-25 foi sintetizado em 1938, pelo químico alemão Albert Hoffmann.
O número 25 indica, segundo alguns autores, que ele é o 25o produto de uma série de transformações químicas da molécula básica de ergotamina. Outros trabalhos afirmam que o número 25 é referência a dosagem necessária para produzir as alucinações, isto é, 25g, ou ainda que corresponde à data em que foi descoberto, 2 de maio.
A introdução de LSD no organismo é feita através da absorção sublingual. O usuário introduz um pequeno pedaço de papel de filtro impregnado com o LSD, no qual se verificam também vários desenhos, ilustrações ou então um pequeno cristal da substância, conhecido popularmente como “micro-ponto”, tablete redondo com 1,6mm de diâmetro, predominante nos anos setenta.
Quando o LSD foi introduzido no mercado ilícito, nos anos sessenta, era comum sua aplicação em diferentes materiais absorventes, como açúcar, papel de filtro, pós farmacologicamente inertes que se introduziam em cápsulas vazias de gelatina. O conteúdo de LSD aplicado era bastante variável, entre 20 e 500mg. Na década de oitenta, o mais comum foi a forma de dosagem sobre papel, porém não gotejando a droga sobre o papel, mas mergulhando o mesmo, pré-impresso, em solução de LSD, conseguindo-se assim, maior uniformidade nas dosagens. Formam-se pequenos quadrados com aproximadamente 5mm, que contém cerca de 30 a 50mg de LSD.
A absorção desta quantidade da substância provoca efeitos que aparecem de 35 a 45 minutos após a introdução e que duram aproximadamente 6 horas. Inicia-se, então um estágio de recuperação com duração de 7 a 9h após a administração, onde os sintomas tendem a diminuir. Ocorre uma oscilação entre as alucinações e os sentidos normais, conhecidas como “ondas de LSD”. No estágio final, são observados efeitos de tensão e de fadiga que podem durar até vários dias.
“Quando tomava LSD, eu pegava o telefone e ligava para Deus a cobrar” (Abbie Hoffman).
Estágios da ação do LSD
período de latência (0,5 a 3h)
modificações físicas (sensação de frio, suor, midríase, dor de cabeça)
período intermediário (medo, angústia)
período de síndrome psíquica e afetiva
modificação do tempo vivido
modificação da sensação de espaço
modificação das sensações do próprio corpo
modificações afetivas
modificação do curso do pensamento
alucinações (principalmente visuais)
conotação erótica e sensual (simbólica)
lucidez relativa
A distribuição de lSD se verifica em diversos órgãos, principalmente rim, fígado e pulmão, enquanto que o sangue, tecido adiposo e cérebro a concentração é, comparativamente, menor. No cérebro, a concentração não excede a 0,01% da dose administrada.
Dependência ao LSD
Questiona-se a indução de dependência pelo uso de LSD no que diz respeito a compulsividade. Quanto ao aparecimento de tolerância farmacodinâmica, após um breve período de uso ocorre manifestação intensa, assim como tolerância cruzada com outros alucinógenos. Não há evidências de síndrome de abstinência, porém seu uso crônico pode implicar em retorno de alucinações após período sem uso (“flash back”), ansiedade e transtornos de personalidade.

Dra Silvia Cazenave
Colaboração de Vera Gelas, coordenadora de AE em Marília