Fumar dobra chance de esclerose múltipla

Fumar pode aumentar consideravelmente o risco de desenvolver esclerose múltipla, segundo um novo estudo da Universidade de Bergen, na Noruega.

A pesquisa, feita com 22 mil noruegueses, descobriu que os fumantes têm quase o dobro (1,8 vez) da chance de desenvolver a doença dos não-fumantes.

O aumento do risco verificado foi maior nos homens do que nas mulheres. Especialistas acreditam que uma combinação de fatores genéticos e ambientais pode ser responsável pela doença.

A esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunológico lança um ataque à “capa” protetora das células nervosas, causando períodos de fatiga e fraqueza pela interferência que tem na passagem de sinais nervosos.

Sem tratamento

Esses ataques podem deixar os pacientes cada vez mais debilitados, e não há tratamento que possa impedir o avanço da doença definitivamente.

No entanto, os cientistas não têm certeza em relação ao que causaria esse tipo de comportamento por parte do sistema imunológico.

Os pesquisadores noruegueses descobriram que as chances de ter a doença aumentavam entre os fumantes independentemente do fato de eles terem deixado o vício ou não.

Participaram da pesquisa 22.312 pessoas com idades entre 40 e 47 anos. Eles tiveram de responder a perguntas sobre o hábito de fumar e sobre a incidência da doença.

A esclerose múltipla ainda é uma doença relativamente rara.

Desse grupo pesquisado, por exemplo, apenas 87 pessoas tinham a condição. Pesquisadores afirmaram que, apesar de o estudo ter indicado um maior risco entre os fumantes, o fato é que, nem para os fumantes, o risco é muito alto.

Nos casos pesquisados, a doença geralmente apareceu 15 anos depois de o vício de fumar ter sido iniciado.

Outras pesquisas já relacionaram o fumo a outras doenças do sistema imunológico, que passaria a “atacar” o corpo.

O fumo também já foi comprovadamente associado a um aumento do risco de desenvolver câncer de pulmão, doenças do coração e derrame.

“O estudo sugere que o fumo pode estar afetando o sistema imunológico, o que é uma coisa com a qual nós devemos nos preocupar. Há, provavelmente, vários outros tipos de doenças para as quais o fumo poderia ter implicações e nós não sabemos”, afirmou um porta-voz do grupo Action on Smoking and Health.

Gary Franklin, um neurologista da Escola de Saúde Pública e Medicina Comunitária da Universidade de Washington, disse que o hábito de fumar pode contribuir para o desenvolvimento da doença em pessoas que já têm propensão genética.

“Nem os fatores genéticos nem os fatores ambientais podem, sozinhos, causar a doença”, afirmou Franklin.

Fonte: BBCBrasil