Disputa do tráfico mata 12 em morro do Rio

RIO – A guerra por pontos-de-venda de drogas resultou na morte de 12 pessoas, no Morro do Dendê, na Ilha do Governador. No tiroteio, iniciado por um grupo dissidente da quadrilha que domina o Dendê, uma menina de 11 anos foi baleada de raspão. O confronto ocorreu na noite de terça-feira e, segundo policiais, foi motivado pela prisão de Ronaldo Souza da Costa, de 30 anos, líder do tráfico local. Os 12 mortos pertenciam ao grupo de Costa.

Ontem à tarde, quando a PM entrou na favela, o comando do 17.º Batalhão foi transferido para o topo do morro para garantir a segurança dos moradores. Os 500 homens do 17.º BPM, do Grupamento de Ação Tática (GAT) e do Grupamento Especial Tático Móvel (Getam) permanecem na favela por tempo indeterminado.

O delegado José Pedro Costa da Silva apontou Edson Francisco Alves, o Bizulai, e os criminosos identificados como Fernandinho e Marcelo Russo, como líderes da quadrilha que atacou a favela. “Houve dissidência com a prisão do líder e disputa pelos pontos-de-venda de drogas.” Romildo da Costa, o Miltinho do Dendê, de 46 anos, irmão de Ronaldo da Costa, está foragido, mas ainda participa do controle do tráfico no morro. Outro chefe da quadrilha, Claudecy de Oliveira, o Noquinha, foi ferido no tiroteio.

O confronto começou às 21 horas de terça e se estendeu pela madrugada de ontem. Eliane Magalhães, de 11 anos, estava em casa e foi atingida de raspão na perna. Há informações de que ela é sobrinha de um dos criminosos mortos.

Os corpos foram achados em diferentes pontos. Sete estavam numa Kombi na Estrada do Tubiacanga, a 2 quilômetros da favela. Três criminosos foram baleados no morro e morreram no hospital.

Outro estava dentro de um carro, no bairro Freguesia. O último corpo foi achado perto do alojamento do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O rapaz, aparentando 20 anos, foi executado no local.

A guerra no morro assustou comerciantes e moradores da Ilha do Governador.

As lojas próximas ao Dendê fecharam as portas. “Dois homens entraram aqui e mandaram fechar. Disseram que, se não fechássemos, não se responsabilizariam”, contou o gerente de uma padaria.

Armas – Em outros pontos da zona norte, mais três traficantes morreram em confronto com a polícia. Na Favela de Vigário Geral, dois bandidos foram baleados por policiais do 16.º Batalhão, após terem atacado a tiros um carro da PM. Os criminosos tinham armas e drogas. No Morro da Fé, na Penha, outro traficante morreu, também em tiroteio com policias militares do 16.º BPM.

Foram registrados ainda outros tiroteios na Penha e nos Morros do Juramento, Formiga e Camarista Méier. (Colaborou Bruno Lousada)

Fonte: Estado de S.Paulo