Fifa admite banir jogadores flagrados no exame antidoping

Entidade esportiva que mais entraves colocou à adoção do Código Mundial Antidoping, a Fifa decidiu radicalizar seu discurso.

Em artigo no jornal britânico “Financial Times”, Joseph Blatter, presidente da entidade que comanda o futebol, afirmou que a Fifa já admite banir do esporte jogadores flagrados no antidoping.

O código da Wada (Agência Mundial Antidoping) prevê esse tipo de pena para os atletas pegos pela segunda vez nos controles.

Blatter declarou que a punição pode atingir também os clubes que não seguirem as regras.

O dirigente citou o caso do zagueiro Rio Ferdinand, do Manchester United, que se recusou a passar por uma coleta de urina de rotina, há dois meses. O defensor, titular da seleção inglesa, chegou a ser barrado de um jogo decisivo da equipe pelas eliminatórias da Eurocopa por causa do problema.

“Se esse tipo de comportamento continuar, teremos que criar uma lei que imponha a suspensão por toda vida a atletas culpados por uso de drogas e o rebaixamento de suas equipes. Se os clubes não podem controlar seus jogadores, quem pode?”, argumentou ele.

Blatter disse que a Fifa deverá intervir no caso Ferdinand. Ele deve ser interrogado nesta quinta-feira pela federação da Inglaterra.

“A punição rigorosa é o único meio de assegurarmos que a lei será igual para todo mundo, pobres e ricos”, afirmou Blatter.

A mesma Fifa que prega hoje a radicalização do controle e da punição por doping já criou uma série de empecilhos para a adoção do Código Mundial Antidoping da Wada. O documento foi apresentado oficialmente em março, em um encontro realizado em Copenhague, na Dinamarca.

Até os Jogos de Atenas-2004, todas as federações esportivas internacionais devem seguir a norma unificada. Quem não se adequar à nova lei pode até deixar de fazer parte do programa olímpico.

A principal queixa da Fifa ao código mundial diz respeito justamente à suspensão de atletas. Blatter inicialmente se mostrou contrário à pena de dois anos para o primeiro caso positivo.

Em novembro, a entidade conseguiu uma flexibilização das regras da Wada. Com isso, disse que irá assinar, em breve, o código.

Mas, para isso, a Fifa ganhou o privilégio de tratar os seus casos individualmente. Além disso, a entidade que comanda o futebol só irá usar a suspensão de dois anos para as ofensas de doping consideradas “graves”.

Ainda neste ano, a Fifa não aceitou refazer os testes de competições antigas após a descoberta do THG, um novo esteróide anabólico (grupo de substâncias que aumentam a potência muscular).

Segundo a Comissão Médica da Fifa, o atual regulamento da entidade impediria a iniciativa por permitir aos laboratórios credenciados descartarem as amostras de urina somente 30 dias depois do resultado dos exames.

As federações internacionais de atletismo, natação e tênis, por exemplo, executaram o “recall”. No Mundial de atletismo de Paris foram encontrados dois casos positivos. A natação e o tênis não flagraram nenhum competidor utilizando a nova droga, cuja descoberta foi anunciada há dois meses.

Fonte: Folha Online