Beber na adolescência é perigoso

Estudo realizado pela Universidade de Memphis, nos EUA, sugere que, beber demais na adolescência, pode provocar danos duradouros ao corpo e ao cérebro

Experiências realizadas com ratos mostraram que altas doses de álcool atrasaram seu crescimento e prejudicaram o funcionamento do cérebro. Segundo os pesquisadores, os resultados mostraram que o álcool pode ser particularmente prejudicial se consumido em fases nas quais o corpo ainda está se desenvolvendo.

Apesar do estudo ter sido realizado em ratos, eles afirmam que, adolescentes deveriam pensar duas vezes antes de beber em excesso.

“Esses resultados sugerem que a adolescência é um período único de desenvolvimento no qual a exposição a altas doses de álcool pode produzir mudanças em funções biológicas que poderão ter uma duração prolongada”, disse o médico Douglas Matthenews, líder do projeto.

A freqüência na ingestão de bebidas alcoólicas é considerada excessiva quando cinco ou mais doses são ingeridas em um curto intervalo.

Em 2002, a Grã-Bretanha divulgou um estudo revelando que até 25% dos adolescentes de 13 e 14 anos afirmam tomar pelo menos cinco doses em uma saída. O percentual sobe para 50 entre os entrevistados de 15 e 16 anos.

Outro estudo publicado em agosto deste ano, indicou que crianças de até seis anos precisaram receber atendimento médico depois de terem ingerido bebidas alcoólicas.

Acredita-se que a quantidade de bebidas com álcool ingerida por adolescentes com menos de 16 anos tenha mais do que dobrado nos últimos dez anos na Grã-Bretanha.

Impacto significativo

Linda Patia Spear, do Centro de Desenvolvimento Psicobiológico da Universidade de Binghamton, em Nova York, disse que ainda se sabe muito pouco sobre os efeitos de longa duração no consumo de álcool por adolescentes.

No entanto, ela afirma que um grande número de estudos tem mostrado que quanto mais cedo um indivíduo começa a tomar bebidas alcoólicas, maiores são as chances de que ele tenha problemas relacionados ao álcool na idade adulta.

Um relatório do governo britânico sugere que o custo relacionado ao abuso de álcool na Grã-Bretanha, seja cerca de 20 bilhões de libras ao ano (quase R$ 100 bilhões).

Andrew McNeill, do Instituto de Estudos Alcoólicos, disse à BBC que pesquisas anteriores mostraram que beber em excesso pode causar danos ao cérebro.

“Há boas evidências que sugerem que começar a beber mais tarde não prejudica a ninguém, e há cada vez mais provas de que pode, na verdade, fazer muito bem”, afirmou McNeill.

Um porta-voz da instituição Alcohol Concern, disse que “está confirmado que pessoas mais jovens têm menos condições de lidar com os efeitos do álcool”.

A pesquisa dos estudiosos da Universidade de Memphis foi publicada foi publicada pelo jornal acadêmico Clinical & Experimental Research.
Fonte: BBC Brasil