Reduzir consumo não elimina toxinas em fumantes, diz estudo

WASHINGTON (Reuters) – Fumantes que reduzem o número de cigarros consumidos podem não estar diminuindo o nível de substâncias cancerígenas no seu organismo como esperavam, segundo um estudo publicado na terça-feira na revista Journal of the National Cancer Institute, dos Estados Unidos.

O artigo indica que a simples redução do consumo não chega nem perto da eliminação completa do hábito, em termos de benefícios para saúde, segundo especialistas.

Quando fumam menos, disseram os pesquisadores, os fumantes tendem a dar tragadas mais profundas em cada cigarro. “Os resultados indicam que alguns fumantes podem se beneficiar de fumar menos, mas para a maioria os efeitos são modestos, provavelmente devido à compensação”, escreveram eles.

Liderados por Stephen Hecht, do Centro Oncológico da Universidade de Minnesota, os cientistas examinaram 92 fumantes ao longo de seis meses, analisando especificamente os níveis de NNK, uma das substâncias cancerígenas mais conhecidas do tabaco.

Os fumantes, que consumiam em média 23,7 cigarros por dia, aceitaram diminuir sistematicamente o hábito — 25 por cento nas duas primeiras semanas, 50 por cento nas duas semanas seguintes, e a partir daí 75 por cento ou mais, caso conseguissem.

Exames de urina mostraram que os fumantes que reduziram o consumo entre 55 e 90 por cento haviam tido uma diminuição de apenas 27 a 51 por cento nos níveis de NNK do organismo. Mesmo fumantes que passaram a fumar apenas dois cigarros por dia tiveram uma redução desproporcional de apenas 46 por cento nesse nível.

Comentando a pesquisa, Scott Leischow e Mirjana Djordjevic, do Núcleo de Pesquisas para o Controle do Tabaco do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, escreveram que o estudo mostrou que abandonar completamente o hábito é a única forma de escapar dos malefícios do cigarro.

Michael Thun, da Sociedade Americana do Câncer, está de acordo. “Estes resultados dão apoio a outras evidências [que mostram] que quando os fumantes diminuem a quantidade que fumam ou mudam para cigarros de baixos teores, eles modificam a forma como fumam, a fim de extrair mais nicotina e alcatrão de cada cigarro”, disse ele em uma nota por escrito.

“O estudo complementa outras linhas de evidências que sugerem que abandonar o fumo é muito mais benéfico que reduzir o número de cigarros. Pelo menos para o câncer de pulmão, o número de anos que se fuma é mais importante que o número de cigarros fumados por dia”, acrescentou.

“Além disso, mesmo quantidades muito pequenas do fumo são associadas a aumentos substanciais no risco de ataques cardíacos.”

O fumo provoca 90 por cento de todos os casos de câncer de pulmão e é uma importante causa de doenças cardiovasculares, as que mais matam no mundo.

O estudo também mostrou como é difícil parar de fumar. Seis meses depois de iniciada a pesquisa, 56 por cento dos fumantes haviam cedido à tentação e voltaram a fumar um maço por dia ou mais.

Fonte: Yahoo Brasil