Médicos britânicos criticam descriminalização da maconha

A Associação Médica Britânica (BMA, sigla em inglês) criticou hoje, quarta-feira, a decisão do Governo de Tony Blair de descriminalizar o consumo da maconha, porque considera que a medida poderia induzir a população a acreditar que a droga é pouco nociva.

Na próxima semana, a cannabis será requalificada como droga de tipo C, por isso passará a fazer parte do grupo considerado menos perigoso, junto com os antidepressivos e os anabolizantes.

O vice-presidente da BMA, Peter Maguire, manifestou-se hoje “profundamente preocupado porque a população poderia pensar que a requalificação se deve por tratar-se de uma droga sem efeitos negativos”.

“A população deve ser advertida do mal que faz fumar essa droga”, assegurou Maguire.

Ante as críticas da associação médica, o primeiro-ministro, Tony Blair, afirmou hoje ante a Câmara dos Comuns que “a maconha e o haxixe continuarão sendo ilegais e os consumidores poderão ser detidos, apesar da requalificação da droga”.

Há dois anos, o ministro do Interior, David Blunkett, anunciou sua intenção de descriminalizar o consumo de cannabis, com o objetivo que a polícia se concentrasse na luta contra as drogas pesadas de classe A, como a heroína e a cocaína.

As novas normas deixam à critério de cada agente tomar a decisão de se prende ou não às pessoas com posse de cannabis, e assinala que os consumidores só serão detidos em circunstâncias agravantes.

Ocorrerá uma detenção quando fumem em público, portem cannabis perto de colégios, centros juvenis e áreas de brincadeiras infantis, e nos casos que impliquem menores de idade.

Por sua vez elimina a pena pelo consumo, a lei aumenta a pena pelo tráfico de cannabis dos cinco aos quinze anos.

Cerca de 80.000 adultos são detidos e multados cada ano por posse de cannabis no Reino Unido.

Fonte: Último Segundo