Álcool, prejuízo afetivo e sexual

O álcool é uma droga socialmente aceita, que pode ser encontrada ou consumida em qualquer esquina. É muito usada como justificativa para atenuar as frustrações e valorizar as conquistas.
Os prejuízos à saúde e à economia do país são enormes, sem falar das mortes devido às doenças hepáticas e acidentes de trânsito e de trabalho.

A dependência se dá às vezes de forma silenciosa, sem que o indivíduo se dê conta. O uso constante e abusivo é o caminho certo para a dependência física e psicológica. Muitos bebedores não se consideram dependentes, pelo fato de ainda manterem uma atividade profissional ou um cargo de destaque na empresa. Esse mesmo homem costuma após a saída do trabalho, a pretexto de relaxar ou se divertir com os amigos, passar horas tomando seus aperitivos.
Ele não consegue chegar em casa em condições de ter um bate papo agradável com a mulher e os filhos, deixando assim de ser o companheiro que possa discutir as questões que interessam a família. Ao contrario, se mostra sonolento, às vezes irritável, até mesmo chato.

O precário envolvimento afetivo com a parceira contribui para uma redução drástica do desejo sexual. Às vezes, as tentativas acabam em fracasso, principalmente quando ele já passou dos 40 anos.
Se você observar com atenção o comportamento desses bebedores dependentes, é possível notar um estado de tristeza ou mesmo depressão. A bebida é usada para torná-los artificialmente mais corajosos ou tranqüilos, mas mesmo assim não conseguem enfrentar seus problemas.

Caso você se dê conta de que está usando o álcool de forma constante e abusiva, procure avaliar a sua relação com a bebida e suas conseqüências na vida amorosa.
Faça um balanço de sua vida, pergunte à sua companheira ou a algum familiar qual é o grau de satisfação que eles têm no convívio com você. E se perceber que a bebida começa a atrapalhar a sua potência, procure ajuda médica e psicológica, pois atualmente se dispõe de tratamento que poderá ajudá-lo a superar o problema da dependência ao álcool e retomar uma vida sexual prazerosa.
É importante lembrar que a emancipação feminina tem contribuído para o aumento de mulheres álcool-dependentes, com inevitável comprometimento da sua sexualidade.

Dr. Moacir Costa, médico psicoterapeuta.
Autor de vários livros na área da sexualidade, entre eles: “Amar Bem”, Editora Gente.

Fonte: Jornal Tribuna do Norte