Debate sobre drogas ganha ruas do Centro

Uma pesquisa realizada pela Secretaria Nacional Anti-Drogas do Ministério da Saúde (Senad/MS) nas 107 maiores cidades brasileiras revela que 6,9% dos entrevistados já experimentaram ou fumaram maconha com alguma freqüência. O índice é modesto se comparado com o álcool (68,7%) mas, em termos numéricos, significa que cerca de 11,8 milhões de brasileiros, com idades entre 12 e 65 anos, em algum momento da vida, fumou a cannabis sattiva, chamada de “erva” no jargão policial, mas que atende por numerosos apelidos a depender do meio onde é cultivada.

O I Fórum Nacional Universitário Sobre Drogas, iniciado na quarta e com encerramento hoje, ganhou as ruas ontem com o nome de “Passeata não dá mais para esconder…”. O cortejo saiu do Campo Grande com destino à Praça Municipal, às 16 horas. A Polícia Militar acompanhou de perto os cerca de 80 manifestantes para evitar maiores apologias. A porta do camburão desfilou aberta.

RASGAÇÃO DE SEDA – O destaque da caminhada foi a presença do roqueiro Lobão, padrinho do evento. O “lobo dos lobos”, como foi anunciado, pongou no trio 20 minutos após a saída, já na altura do Forte de São Pedro. Veio andando do Politeama em direção aos manifestantes trajando bermuda, camiseta e sandália. No meio da muvuca puseram um cigarrão de isopor em sua boca e ele fingiu algumas baforadas. Saudou a galera com o sinal do hang loose (mão fechada, exceto os dedos mindinho e polegar) e subiu.

Antes de mais nada, o roqueiro destacou ao microfone que o ato se tratava de “liberdade de expressão e não apologia”. E continuou: “Quero agradecer a presença e a coragem de cada em estar presente, pois ninguém aqui é doente ou criminoso e vamos perceber que este movimento pode se articular no Brasil todo, é preciso discutir a situação”. E lá de baixo, Lazinho, um vendedor de cigarro que é um verdadeiro piolho de passeata, berrou: “Lobão, bote um morrão!”, E Lobão respondeu: “Mais tarde, mais tarde…”. Desceu do trio e foi embora antes de chegar na Avenida Sete.

Muitas intenções estavam misturadas em meio à manifestação. Por se tratar de um fórum, cada um disse o que quis ao microfone: “Quem acha que deve liberar levante a mão”, disse um. “Mamãe, eu uso!”, gritou outra. Embaixo, carregando um cartaz, a dona-de-casa Célia Simas, 42 anos, veio do Pero Vaz porque viu anunciar o evento na televisão. “Vim pela novidade, mas sou contra liberar porque os jovens se estragam cedo”, opinou. Mais do que ser a favor ou contra, os organizadores deixaram claro que a intenção maior era “levantar a discussão”. Ao final, uma carta aberta foi entregue ao prefeito Antonio Imbassahy e a Câmara de Vereadores sugerindo a criação de um fórum permanente de discussão sobre as drogas.

Consumo

8.500 entrevistados em 107 cidades brasileiras revelam

z Álcool – 68,7% já beberam ou bebem
z Maconha – 6,9: já fumaram ou fumam
z Solventes – 5,8% já cheiraram ou cheiram
z Cocaína – 2,3% já cheiraram ou cheiram
Fonte: Senad–MS