Fotógrafo pode ter ligação com traficante na Bahia

A força-tarefa que apura o tráfico de drogas no Alto de São Gonçalo, na Bahia, pediu ontem pela prisão temporária do fotógrafo Francisco Galvão, acusado de colaboração com a organização criminosa supostamente controlada pelo traficante Raimundo Alves de Souza.
De acordo com o promotor Jânio Peregrino Braga, um dos representantes do Ministério Público no grupo especial, Galvão foi flagrado pelo Departamento de Inteligência Policial, através de escuta telefônica autorizada pela Justiça, prestando informações que teriam dificultado a captura do foragido. Encaminhado à Vara de Tóxicos e Entorpecentes, o pedido aguarda parecer de um dos juízes.

Também flagrado em conversas no mínimo consideradas inadequadas, o jornalista Alberto Miranda será notificado pela força-tarefa a prestar esclarecimentos sobre o teor de alguns desses diálogos telefônicos. Os conteúdos mostram o jornalista relatando procedimentos inerentes à função de delegado de polícia como a tomada de depoimentos e a instauração de inquéritos. A sede dessas operações seria a casa de espetáculos Mega Show, situada na BR-324, trecho do Retiro, empreendimento pertencente a Raimundo Souza.

Além de explicar os procedimentos, Miranda deverá esclarecer seu relacionamento com Raimundo: ele também foi flagrado por câmeras do DIP ao lado do traficante em diversas ocasiões. Segundo informações, o jornalista prestaria assessoria de imprensa ao Mega Show e seria o coordenador da Radioatividade, emissora de rádio comunitária também pertencente ao chamado Império Ravengar. Dentre outras funções ao longo de sua carreira, Alberto Miranda, ocupou por duas vezes o cargo de assessor de comunicação social da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Os integrantes da força-tarefa começam hoje a avaliar as prisões temporárias cumpridas até o momento com o objetivo de definir pela prorrogação de algumas, consideradas necessárias aos trabalhos. O prazo de 30 dias das primeiras 16 detenções solicitadas vence no dia 26, a quinta-feira imediatamente após o Carnaval. As outras três vencem no dia 4.

O promotor Jânio Peregrino adianta que alguns dos mandados serão renovados por mais 30 dias, mas não revela os nomes dos acusados, segundo ele, para não prejudicar as investigações. Das 19 prisões temporárias requeridas até o momento, 15 já foram cumpridas.

Presa junto com Raimundo, na segunda-feira à noite, em Monte Gordo, distrito de Camaçari, Sueli Napoleão negou ter conhecimento das atividades ilícitas atribuídas ao marido. Casados há nove anos, mas juntos há 15, eles parecem não haver compartilhado alguns detalhes de suas vidas. Sueli jura não saber os motivos que levaram Raimundo a ser condenado em 1992. A condenação, divulgada amplamente à época, tinha como motivo o tráfico de drogas.

As negativas de Sueli não convenceram os membros da força-tarefa, que garantem ter provas do envolvimento dela no manuseio da cocaína processada para venda no varejo na “fortaleza” do Alto de São Gonçalo, sede do Império Ravengar. Ouvida por mais de quatro horas na sede do MP, ela foi encaminhada, ainda na madrugada de ontem, para o Presídio Feminino, no Complexo Penitenciário do Estado, no bairro de Mata Escura.

Fonte: Terra