Cultivo e tráfico de maconha se expandem na Europa

A maconha continua sendo a droga mais comum na Europa, onde seu cultivo e tráfico se expandem, segundo reconhece a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) em seu relatório anual sobre as drogas, apresentado hoje, terça-feira.

O organismo das Nações Unidas com sede em Viena lamenta o abuso da cannabis sativa “com fins experimentais e de lazer”, sobretudo na Europa ocidental, e se mostra preocupado porque seus efeitos prejudiciais se minimizam e se relaxam os controles, o que poderia provocar uma onda de cultivos ilícitos e abusos.

A Jife calcula que na Suíça, onde já existem mais de 400 lojas que vendem produtos derivados da cannabis sativa, são cultivados entre 300 e 500 hectares para a produção de cânhamo e se produzem entre 50 e 200 toneladas anuais de maconha.

A cannabis sativa também representa quase três quartos das drogas apreendidas no Reino Unido, onde a metade dos que a consomem cultiva suas plantas, segundo um estudo.

A Jife averiguou que a cannabis sativa é acessível na Europa, onde 46,2 por cento dos jovens de entre 15 e 24 anos confessaram já terem recebido uma oferta de maconha ou haxixes alguma vez e 28,9 por cento disseram já ter consumido.

Entre os países com significativas cifras de consumo figuram a França, onde 19,8 por cento dos jovens indagados confessaram ter fumado maconha recentemente, a Espanha com 15 por cento, e o Reino Unido com 13,4 por cento.

A Europa é um dos maiores mercados de cocaína do mundo, nos últimos anos o volume de apreensões cresceu de forma constante e em algumas cidades aumentou o consumo de derivados como o “crack”.

Também há indícios de que a quantidade de cocaína que chega de contrabando à Europa desde a América do Sul está aumentando, e os portos principais são Espanha, Países Baixos e Reino Unido.

A Espanha ocupa o terceiro lugar no mundo, depois dos Estados Unidos e da Colômbia, quanto ao volume de cocaína apreendida pelas autoridades, e em dez anos essa quantidade subiu mais do dobro.

Quanto à heroína, registra-se uma forte redução do consumo indevido em alguns países membros da UE, entre eles a Espanha, onde se registraram cifras bastante altas nos anos 80.

O abuso de heroína se estendeu em países da Europa Central e do Leste, e se prevê que o tráfico desta droga, depois de dois anos de colheitas sem precedentes no Afeganistão, aumentará nos Bálcãs e na Europa Central.

Nos últimos anos se propagaram consideravelmente as infecções de HIV entre os toxicômanos que usam drogas injetáveis em países como os estados do Báltico, Federação Russa e Ucrânia, onde as cifras alcançam dimensões alarmantes.

A Europa destaca-se também como produtor de drogas sintéticas que são traficadas no mundo todo e os Países Baixos constituem a fonte de grande parte do ecstasy, apesar de o Governo holandês ter aplicado medidas para combatê-lo.

A anfetamina é fabricada cada vez em mais países europeus, onde aumentaram os laboratórios ilegais descobertos na Ucrânia, continua a produção na Polônia e também nos países do Báltico e Romênia, enquanto que o consumo de estimulantes baseados em anfetaminas é o mais alto na Irlanda, no Reino Unido e Países Baixos.

Tendo em conta que as drogas sintéticas não podem ser fabricadas sem produtos químicos, a Junta pede a todos os países europeus -assim como à Comissão Européia-, que intensifiquem o controle dessas matérias-primas e aumentem a cooperação para prevenir a importação das substâncias usadas para a produção.

Todos os anos entram como contrabando na Europa mais de cem toneladas de uma importante matéria-prima do ecstasy chegado da China, por isso a Junta pede à UE que coopere com as autoridades do país asiático para suprimir este tráfico ilícito.

Fonte: Último Segundo