EUA, México e Canadá intensificam repressão ao narcotráfico

A repressão e perseguição ao narcotráfico foram intensificados nos EUA e no México, mas não conseguiram reduzir o consumo, enquanto que o Canadá aborda o problema com medidas mais amplas, sensíveis e promissoras, segundo um relatório da ONU sobre as drogas apresentado em Viena hoje, terça-feira.

Esses três países “cooperaram estreitamente em suas atividades de fiscalização de drogas, fazendo investigações e operações de repressão conjunta”, lembra em seu relatório anual a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife).

O documento destaca que a colaboração entre México e EUA permitiu “a detenção de vários poderosos traficantes de drogas suspeitos de numerosos crimes, inclusive de assassinato, lavagem de dinheiro e crime organizado”.

O “Relatório 2003” da Jife destaca que o México “cumpre uma função cada vez mais importante” nesta luta, tanto na América do Norte como na América Central, e intensificou a repressão ao narcotráfico com “detenções em massa de membros de várias organizações poderosas de narcotráfico”.

O México “reforçou também suas atividades contra a corrupção, com freqüência vinculada ao tráfico de drogas” e, neste ponto conseguiu desmantelar “um batalhão militar” no qual “um grande número de soldados” estava envolvido na produção e no tráfico de drogas, se lembra no documento.

No entanto, “há indícios de que os controles mais restritos aplicados na fronteira entre México e Estados Unidos” resultaram num excesso da oferta de cocaína no país latino.

Ali as investigações apontam que o consumo dessa droga e de “craque” aumentou, sobretudo entre os jovens, embora permaneça ainda a um nível muito mais baixo que nos EUA.

Também aumentou o consumo de heroína no México, onde a disponibilidade dessa droga “é cada vez maior, os preços mais baixos e os níveis de pureza mais altos”.

Apesar dos esforços realizados pelo Governo mexicano para reduzir o cultivo ilícito da papoula, que incluiu a erradicação de 19.000 hectares nos últimos anos, essas plantações parecem ter continuado a crescer.

Enquanto a maior parte da heroína que chega à América do Norte vem da América do Sul, uma imensa proporção também é fabricada no México, e nos EUA as organizações de traficantes tentam estabelecer locais de cultivo em grande escala.

Os Estados Unidos se mantêm na liderança como o principal consumidor mundial de drogas, mas há indícios de que o consumo de cocaína e heroína, assim como o de anfetaminas, parece haver-se estabilizado a um alto nível, enquanto “os indicadores mais recentes sobre o uso de cocaína e heroína não mostram uma tendência clara”.

Também continua alta “a fabricação ilícita de metanfetamina em grande escala”: frente ao volume de entre 5 e 10 toneladas que se fabrica legalmente cada ano, a Jife estima que no México e nos EUA são produzidas de forma ilícita entre 106 e 144 toneladas que são vendidas “para seu uso indevido” a cerca de 1,3 milhão de pessoas.

Os EUA é também, de longe, o país onde se detecta o maior abuso de “drogas receitadas”, situação que se vê exacerbada pela proliferação da venda ilícita de entorpecentes e substâncias psicotrópicas através de farmácias na Internet.

A respeito do Canadá, a Junta observa que o país aprovou em 2003 uma estratégia que, além de aumentar os fundos destinados a esta luta para os próximos cinco anos, “tem em conta a natureza plural do problema das drogas”.

O plano contém “uma diversidade de iniciativas de base comunitárias”, como campanhas de educação pública e prevenção, assim como o desenvolvimento da chamada “justiça restitutiva”, ou seja, a busca de alternativas ao encarceramento baseadas em “idéias tradicionais da justiça das sociedades de aborígines”.

Fonte: Último Segundo