Tráfico de drogas e armas ameaça desenvolvimento socioeconômico

Os países da América Central e do Caribe continuam sendo estratégicos como rotas do tráfico de droga para o norte e do contrabando de armas para o sul, situação que pode ameaçar seu desenvolvimento político e socioeconômico, adverte a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife).

Em seu “Relatório 2003” apresentado em Viena hoje, terça-feira, essa Junta do sistema das Nações Unidas lembra que o principal problema da América Central quanto às drogas é o tráfico.

Nesses Estados, acrescenta, “o tráfico de entorpecentes continua orientado principalmente para a maconha e a cocaína, embora as apreensões de heroína tenham aumentando a níveis sem precedentes”.

Enquanto que a produção de cocaína “continua sendo insignificante”, o trânsito do contrabando dessa droga afeta todos os países, segundo se depreende das numerosas apreensões, que superam os mil quilos anuais por país.

“Todos os países da América Central comunicaram apreensões de heroína que alcançaram níveis sem precedentes”, também em trânsito, já que a produção e o consumo dessa droga na região é “pequena, salvo em Porto Rico”.

O principal destino das remessas de drogas é a América do Norte, enquanto “o contrabando de cocaína através do Caribe com destino à Europa parece ter aumentado”, precisa o relatório, que também denuncia um forte tráfico ilícito de armas, destinado aparentemente a grupos armados da América do Sul “que instigam o tráfico de drogas”.

A Jife avisa que “o tráfico de drogas e os crimes conexos podem potencialmente ameaçar o desenvolvimento político, social e econômico, especialmente nas ilhas menores do Caribe”.

A passagem da droga por esses territórios de relativamente baixa produção contribuiu ao aumento do consumo local, segundo numerosos indícios que possui a ONU, já que “não parece haver suficientes dados epidemiológicos atualizados”.

“Os limitados dados disponíveis indicam que o uso indevido de cocaína aumentou e que a idade de iniciação no consumo de drogas baixou”, diz o relatório.

Reconhece que os Governos fizeram progressos em sua luta contra as drogas e que “quase todos” adotaram nos últimos anos planos nacionais especiais, mas adverte que esses países não podem ainda oferecer suficiente tratamento para reabilitar os drogados.

Tais tarefas “continuam principalmente a cargo de organizações não-governamentais”, pois os Governos carecem ainda do apoio financeiro e da infra-estrutura necessária.

O relatório destaca que vários Estados da América Central assinaram acordos bilaterais com Colômbia e México para cooperar em atuações judiciais, operações de repressão e o controle das fronteiras, e lembra que os Estados Unidos é “o associado bilateral mais importante” deles nesta luta.

“A cooperação no plano regional e a cooperação com autoridades da Colômbia e de países da América do Norte e Europa permitiram levar a cabo com êxito várias operações de repressão do tráfico de drogas por via marítima no Caribe”, acrescenta.

A Jife observa de forma positiva “novos progressos” na luta contra a lavagem de dinheiro.

Frente aos avanços na legislação contra esse crime em Costa Rica e Nicarágua, se lembra que a Guatemala “pôs em prática uma lei que penaliza a lavagem do produto do crime, mas ainda não assegurou sua plena aplicação e ainda não foi retirada da lista” de países não cooperantes.

Fonte: Último Segundo