Cresce incidência de alcoolismo entre militares dos EUA

WASHINGTON (Reuters) – Quase um em cada cinco militares dos EUA bebe demais, segundo pesquisa divulgada na segunda-feira pelo Pentágono, que mostrou que o alcoolismo está se tornando um problema grave nos quartéis norte-americanos.

A pesquisa, conduzida no segundo semestre de 2002, mostrou também um aumento no uso do tabaco e de drogas ilícitas em relação ao levantamento anterior, de 1998. É a primeira vez em duas décadas que isso ocorre.

A investigação foi feita com base em 12.500 entrevistas com militares.

O alcoolismo é mais presente entre militares jovens e do sexo masculino, de acordo com as autoridades. Os resultados foram divulgados duas semanas depois de o Pentágono anunciar que muitos casos sob investigação envolvendo agressões sexuais de militares homens contra suas colegas mulheres estão relacionados ao abuso do álcool.

A pesquisa concluiu que 18,1 por cento dos entrevistados bebe demais — pelo menos cinco doses de uma só vez uma vez por semana. Em 1998, esse índice era de 15,4 por cento. Na divisão por sexos, 19,4 por cento dos homens e 5,3 por cento das mulheres militares foram classificados como alcoólatras.

“É um comportamento individual, obviamente”, disse William Winkenwerder, secretário-assistente de Defesa para assuntos de saúde. “Ao contrário da questão do abuso de drogas ilícitas, não podemos policiar as pessoas por seu comportamento e obrigá-las a não beber demais”.

Winkenwerder disse que o Pentágono tem “um alto nível de consciência” sobre a necessidade de explicar aos soldados que o álcool “pode impactá-los de forma adversa em termos de família, vida pessoal, produtividade e carreira”.

A pesquisa mostrou que soldados que bebem muito perdem produtividade e sofrem mais freqüentemente sintomas de estresse e depressão.

Robert Bray, diretor da pesquisa, disse ter concluído que 27,3 por cento dos militares com idade entre 18 e 25 anos bebem demais. Entre a população geral dos EUA na mesma faixa etária, a média é de 15,3 por cento. Bray disse que, entre os militares com mais de 26 anos, a proporção de alcoólatras é apenas marginalmente maior do que na população em geral.

A pesquisa mostrou que 41,8 por cento dos entrevistados admitem ter tomado mais de cinco doses em uma só ocasião no mês anterior. Na população geral, esse índice é de 16,6 por cento.

Os marines são a corporação mais atingida pelo problema. A Força Aérea vem em último.

A pesquisa mostrou também que 3,4 por cento dos entrevistados admitiram o uso de uma droga ilícita, como maconha ou cocaína, no mês anterior à pesquisa, e 6,9 por cento admitiram o uso no ano anterior. A pesquisa de 1998 mostrava que 2,7 por cento haviam usado drogas ilícitas no mês anterior e 6 por cento no ano anterior.

Foi a primeira vez que esse tipo de pesquisa, realizada desde 1980, apontou um aumento no consumo de drogas ilícitas, mas o Pentágono considerou que o resultado não é estatisticamente relevante.

Pela primeira vez desde a pesquisa de 1982, o consumo de cigarros cresceu entre os militares — 33,8 por cento deles disseram ter fumado no mês anterior. Em 1998, eram 29,9 por cento.

Fonte: Último Segundo