Mulheres não procuram tratamento contra drogas

As mulheres consomem drogas, mas, em relação aos homens, procuram menos o tratamento por se sentirem discriminadas ou por não reconhecerem que são dependentes. A conclusão é da Clínica de Atendimento Multidisciplinar à Prevenção ao Tratamento da Toxicomania (Camt), do Centro Universitário Newton Paiva, de Belo Horizonte (MG), que avaliou todos os clientes desde a sua fundação, em setembro de 2000.

Segundo o levantamento, apenas 11% do público que buscou tratamento na Camt é mulher. Isso não significa que a dependência seja preponderante do sexo masculino. “Deve ser avaliada a cultura brasileira ao analisar a baixa procura por tratamento pelas mulheres”, revela a psicóloga e pesquisadora da Camt, Waldirene Andrade. Das pesquisadas que abandonaram o tratamento pelo menos uma vez, 67% afirmaram que era por falta de desejo pessoal e 33% por se sentirem discriminadas.

Um dado alarmante revelado é que as usuárias de drogas preferem consumir crack a cocaína, maconha ou cigarro, droga lícita que também foi alvo da pesquisa. O álcool é a droga mais consumida por 36% das pesquisadas. As mulheres usaram drogas pela primeira vez, em média, aos 17 anos, sendo a menor idade 10 e a maior 33 anos.

A vontade de largar o vício (40%) foi o motivo mais citado para o tratamento. Elas também citaram o comprometimento da saúde pelo uso constante (26%), a pressão da família (16%), o comprometimento social (9%), a pressão judicial (5%) e o medo da morte (4%) como principais razões para deixar o consumo.

A pesquisa avaliou um universo de 274 usuários e dependentes de drogas. A faixa etária das mulheres pesquisadas (31 pessoas) variou de 13 a 57 anos, sendo solteiras (48%), casadas (26%), divorciadas (10%), viúvas (10%) e separadas (6%). Do grupo, 81% relataram que tinham pessoas na família que usavam de drogas, sendo que 27% eram os próprios pais, 23% irmãos, 16% tios, 9% mães, 5% primos, 5% companheiros/parceiros e 2% sobrinhos.

Fonte: Maxpress