Consumo de álcool no Brasil preocupa OMS

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou ontem em Brasília o Relatório sobre Neurociência do Uso e Dependência de Drogas no qual faz três advertências mundiais sobre o tema: o consumo de drogas lícitas e ilícitas deve ser encarado de forma conjunta, é preciso tratá-lo como um problema de saúde pública, e não só criminal, e admite ser necessária uma maior coleta de dados para identificar a eficácia de seu uso em tratamentos médicos.

Em relação ao Brasil, o consumo de álcool é o que mais preocupa a organização. A OMS diz não ter como exigir, mas pode indicar ao governo que um primeiro caminho é controlar a publicidade sobre bebidas alcoólicas.

“Utilizar pessoas jovens na propaganda do álcool cria um clima social de aceitação. Além disso, fica demonstrado que ficar bêbado é bom. O jovem cresce com isso na cabeça”, disse Maristela Monteiro, da Organização Pan-Americana de Saúde.

Pedro Gabriel Delgado, coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, admite o longo caminho a ser percorrido pelo governo: “Temos alguns obstáculos óbvios e legítimos, como os vindos da indústria produtora de bebidas, das empresas de comunicação e até de uma visão de parte da sociedade de que o Estado não deve intervir nesse assunto”.

Segundo ele, um grupo interministerial, criado em maio de 2003, trabalha no tema (tendo próximo um acordo entre Estados e municípios para proibir a venda de bebidas alcoólicas em rodovias).

Já o italiano Benedetto Saraceno, chefe do Departamento de Saúde Mental e Dependência de Drogas da OMS, fez um alerta ao governo brasileiro sobre a farmacodependência. “Deve haver uma atuação intensa no controle do uso de alguns tipos de droga como forma terapêutica”, disse.

Em linhas gerais, a OMS informou em seu relatório que as políticas públicas mundiais ainda são insuficientes para conter o consumo de álcool e fumo, por exemplo. Sobre maconha, a OMS afirma que “não existem evidências da eficácia” de seu uso médico.

Fonte: Folha