Presidente afegão pede ajuda internacional para combate às drogas

BERLIM – O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, pediu hoje em Berlim, a ajuda urgente da comunidade internacional para lutar contra as drogas em seu país, pois se trata de um mal tão extenso que ameaça a própria existência do Estado afegão. “O problema da droga no Afeganistão é tão grave que o país não pode por si só enfrentá-lo”, disse Karzai na cerimônia de inauguração da conferência Afeganistão e a comunidade internacional, uma associação para o futuro.

Na cerimônia, a única desta etapa que terá caráter público, discursaram o chanceler alemão, Gerhard Schroder, o assessor político do secretário-geral da ONU, Ladjar Brahimi, e a enviada especial do governo japonês para o Afeganistão, a ex-alta comissária da ONU para os Refugiados Sadako Ogata. Karzai, que não especificou o tipo de ajuda que espera da comunidade internacional para lutar contra a droga, apesar de esse ser um dos temas que serão tratados em Berlim, atribuiu o problema à falta de expectativas das pessoas e à destruição em massa da agricultura.

Segundo cálculos da ONU, no Afeganistão foram produzidas no último ano cerca de 3.600 toneladas de ópio (base da heroína), o que rendeu ao país receitas no valor de US$ 2,3 bilhões, o equivalente à metade do Produto Interno Bruto (PIB). Karzai solicitou ajuda para conseguir o desarmamento dos exércitos ou milícias dos ‘senhores da guerra’, além do combatee às drogas em cumprimento dos acordos de Petersburgo.

“Essas milícias constituem uma ameaça real à segurança do país, à paz e à segurança da região”, acrescentou Karzai, para que, apesar de os desafios serem vários, os progressos foram enormes. “O Afeganistão é um exemplo bem-sucedido da cooperação multilateral e pode servir de referência a outros países”, destacou Karzai, que agradeceu em várias ocasiões a ajuda internacional recebida e disse que o objetivo é não precisar dessa ajuda em 10 anos.

Ele lembrou que o compromisso pela paz, a estabilidade, o desenvolvimento, a justiça e a democracia assumido pelos afegãos em dezembro do 2001 continua vigente e culminará com a realização de eleições em setembro. “Serão eleições livres, justas e transparentes”, assegurou Karzai, que elogiou o esforço da ONU no Afeganistão para elaborar o registro eleitoral nacional, listas a que até agora se incorporaram 1,5 milhão dos 10 milhões que devem ter direito a voto.

Nesse sentido, o representante da ONU em Berlim destacou a importância de solucionar os problemas que dificultam o registro, que, disse, têm muito a ver com a segurança. Brahimi defendeu a desmobilização dos ex-combatentes e medidas de integração na nova sociedade afegã, que não será a resultante das eleições, mas a que mostre maturidade democrática, a que amadureça na paz e na justiça.

Schroeder fez referência à luta contra o terrorismo internacional, justificativa da guerra contra os talibãs, para advertir que ainda não está ganha, como mostraram dolorosamente os atentados de Madri. Sadako Ogata, por outro lado, destacou os sucessos do governo de Karzai e renovou o apoio do Japão á transformação do Afeganistão. Apoiamos o processo eleitoral e a reconstrução institucional e econômica em seu conjunto, ressaltou Ogata, para quem o processo político afegão é um modelo a ser seguido por outros países.

Como prova desse compromisso, a enviada do Japão, país que junto a ONU, Afeganistão e Alemanha preside a conferência, anunciou uma contribuição adicional de US$ 400 milhões em dois anos. “Essa quantia, somada a contribuições anteriores, eleva o montante da contribuição japonesa a US$ 1 bilhão”, afirmou Ogata, que, como Brahimi e Karzai, elogiou a Constituição aprovada recentemente pela assembléia Loya Jirga.

“A Carta Magna garante a igualdade de direitos entre homens e mulheres e, a estas, 25% das cadeiras do Parlamento, o que não tem precedentes na região e era impensável na época dos talibãs”, disse. Essa conferência, a terceira desde o início do processo de transição política acertada pelos principais segmentos afegãos em dezembro de 2001, reunirá até amanhã cerca de 700 representantes de 70 países e organizações multilaterais. Entre os participantes estão o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, ministros das Relações Exteriores e de Cooperação europeus, altos funcionários das Nações Unidas e o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoope Scheffer.
Fonte:Agência EFE