Maradona é internado na UTI após crise de hipertensão

23h19 – BUENOS AIRES (Argentina) – Será necessário esperar de 24 a 48 horas para saber como se dará a evolução do estado de saúde do ex-jogador de futebol argentino Diego Maradona, que se encontra internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Clínica Suíço-Argentina, em Buenos Aires, onde respira com a ajuda de aparelhos, revelou seu médico particular, Alfredo Cahe, este domingo à noite.

“Segundo o boletim médico da clínica, é necessário esperar entre 24 e 48 horas para se ter um diagnóstico preciso sobre a evolução do caso”, frisou Cahe, em entrevista coletiva, recusando-se a dar sua opinião sobre a gravidade do problema do ex-capitão da seleção argentina, de 43 anos.

O médico reagiu de forma enérgica quando a imprensa lhe perguntou se a crise cardíaca poderia ter sido causada por uma “overdose” de drogas, negando-se a responder e reafirmando que “as únicas informações concretas são as divulgadas no boletim da casa de saúde, nada mais”.

De acordo com o boletim da clínica, o maior ídolo do futebol argentino teve uma crise cardíaca e de hipertensão e estava respirando com a ajuda de aparelhos na UTI. Além disso, apresentava uma reação moderadamente favorável e estável, embora o prognóstico tenha sido divulgado com reservas.

A primeira parte do boletim médico oficial, sobre a saúde de Maradona, diz que o ex-jogador foi internado na UTI da clínica Suíço-Argentina após apresentar uma crise hipertensiva, com quadro basal de cardiopatia dilatada.

Maradona sofre de uma hipertensão arterial e recebe medicação de apoio hemodinâmico. O ex-jogador, por ter apresentado insuficiência respiratória, teve de ser entubado, encontrando-se sedado de forma permanente.

“A resposta inicial hemodinâmica é moderadamente favorável e os parâmetros estão estabilizados. O prognóstico do quadro ainda é reservado e um novo boletim será divulgado ao meio-dia desta segunda-feira, podendo ser adiantado, caso a situação do ex-jogador se modifique”, ressaltou o comunicado médico.

Mais cedo, o canal de televisão argentino TN anunciou que Diego Maradona teve de ser internado em uma clínica particular ao sofrer uma “overdose” por entorpecentes e que seu estado era crítico.

“O estado de Maradona é crítico. O temor para as próximas oito horas é de que seu coração não resista”, revelou a TN, citando fontes próximas ao ex-jogador.

A preocupação com o estado de saúde do ex-jogador ficou aparente, entretanto, com a presença de seu pai, também Diego, da ex-mulher, Claudia Villafañe, e das filhas adolescentes, Dalma e Gianina, no local.

Omar Suárez, um amigo do ídolo argentino, comentou instantes após a internação que Maradona se encontrava no hospital para fazer um “check-up”, mas depois admitiu que estava sendo tratado na UTI da clínica. Maradona passou uma temporada em Cuba, fazendo tratamentos de reabilitação para combater seu vício em estimulantes, com uma saúde debilitada desde janeiro de 2000, quando sofreu uma crise cardíaca no balneário uruguaio de Punta del Este.

Este domingo, o ex-jogador acompanhou a vitória do Boca Juniors, seu clube de coração, sobre o Nueva Chicago (2-0), no estádio La Bombonera, mas se retirou do camarote durante o segundo tempo da partida. Quando voltou para a Argentina, em 22 de março passado, Maradona já estava bastante acima do peso, mas não havia notícias de que estivesse sofrendo algum tipo de doença ou problema de saúde.

A última vez que foi visto em público, obeso e transpirando sem parar, foi durante o retorno à TV local, na semana passada, da popular apresentadora Susana Giménez. Apesar das dificuldades notórias para se movimentar, Maradona jogou no último dia 23 de março um amistoso com colaboradores técnicos do Estudiantes de la Plata (60 quilômetros ao sul), onde marcou um gol de pênalti.

No ápice de sua carreira, ganhou o Mundial do México-1986, com uma formidável atuação na final contra a Alemanha (3-2) e um trabalho histórico quando fez dois gols contra a Inglaterra (2-1). Símbolo e capitão indiscutível da seleção, Maradona representou a Argentina durante 17 anos, entre 1977 e 1994, com 50 gols, uma estatística superada apenas por Gabriel Batistuta, em 115 partidas.

Sua carreira começou a entrar em declínio em abril de 1991, quando jogava no italiano Nápoles, devido a um caso de doping. Depois disso, ficou detido em Buenos Aires e sob controle da Justiça por consumo de drogas, até ficar de fora da Copa do Mundo EUA-1994, em conseqüência de outro resultado positivo em um exame antidoping.
Da France Presse
Fonte: Correio Web