Imagens chocantes em maços de cigarro provocam rejeição

A chefe do Laboratório de Neurobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eliane Volchan, que coordena uma pesquisa sobre a campanha antitabagista do Ministério da Saúde, defende o uso de imagens consideradas chocantes em maços de cigarros, de mutilações, violência, acidentes e morte prematura. Resultado preliminar do estudo, feito inicialmente com 40 universitários, mostra que nem sempre as imagens veiculadas nos maços provocam aversão, como a de um homem que parece estar sem fôlego, da campanha anterior, considerada neutra.

Mas as novas imagens que começaram a ser veiculadas no ano passado, entre elas a de um fumante que teve as duas pernas amputadas, foram avaliadas como desagradáveis. Segundo Eliane, o governo está certo ao usar imagens consideradas por ela de impacto negativo. No trabalho, estão sendo testadas 19 imagens – as dez atuais e nove da campanha anterior.

As três consideradas menos chocantes nesta fase preliminar foram a de um adulto fumando com uma criança ao lado, a de médicos assistindo um doente e a do homem parecendo estar sem fôlego, todas da primeira etapa da campanha. As três figuras consideradas mais chocantes foram a de uma grávida fumando, a de um bebê prematuro numa incubadora e a do homem com as pernas amputadas.

Os trabalhos que utilizam fotos avaliadas como desagradáveis têm mostrado que elas geram uma predisposição a se reagir defensivamente, a se evitar a aproximação. É exatamente esse o objetivo da foto no maço: causar repulsa e esquiva auxiliando o fumante a abandonar o vício e o não-fumante a rejeitar o cigarro, diz a pesquisadora.