Instituição pede socorro para trabalho

Realizar trabalho voluntário voltado para a recuperação de dependentes químicos oriundos de famílias carentes não é tarefa das mais fáceis no Acre. Enquanto cresce a cada dia a procura por este tipo de tratamento, junto ao poder público diminui, cada vez mais, as chances de se conseguir apoio. Pelo menos é a constatação de Maria Gomes Sinhasique, mais conhecida como irmã Neta, que dirige a Fundação Evangélica Sarepta de Sidom.

A entidade, que completa seis anos no próximo dia 19, realiza trabalho de recuperação de dependentes químicos que não possuem renda para pagarem os altos custos de uma clínica de tratamento nesta área. Irmã Neta tem 25 anos dedicados ao trabalho voluntário com dependentes químicos, na assistência a crianças, adolescentes e mães carentes.

Evangélica, ela disse que já perdeu as contas de quantos projetos enviou para parlamentares acreanos e instituições públicas, em busca de apoio para o seu trabalho. “Trataram-me mal e chegaram a dizer que o governo não tinha dinheiro nem obrigação de ajudar na recuperação de dependentes químicos”. Cansada, ela resolveu recorrer à imprensa para pedir socorro aos empresários acreanos e às pessoas de bom coração, como forma de continuar seu trabalho voluntário.

Para manter o centro de recuperação, localizado no quilômetro 9 da BR 364, percorrendo mais 12 quilômetros no ramal Novo Horizonte, Maria Sinhasique fabrica e vende, de porta em porta, doces e temperos caseiros. Os internos ficam instalados na sua antiga residência, construída há mais de 40 anos. “Foi o local onde criei meus filhos”.

Os planos da religiosa são a construção de uma ala de quartos e banheiros para os internos, cozinha, ala de indústria caseira e dependências do setor de administração. “São seis lutando com muita dificuldade e só recebendo não como resposta das instituições públicas”. Para fazer justiça, irmã Neta destaca o apoio recebido de alguns magistrados acreanos que doaram oito milheiros de tijolos. Segundo afirma, já é um bom começo, mas necessita de areia, brita, cimento, material de acabamento, hidráulico e elétrico, madeira, telhas, pregos, fechaduras e dobradiças para poder terminar as construções.

Cura com oração

Irmã Neta diz que as preces realizadas por ela e sua equipe de voluntários são a fonte de toda a cura. Um tratamento inusitado que vem apresentado bons resultados. “Apenas as pessoas que vêm do Hospital Mental do Acre (Hosmac) é que ainda ficam uns dias usando remédios em doses reduzidas até ficarem, de vez, livres de qualquer medicamento”.

O trabalho terapêutico desenvolvido nas atividades de manutenção da criação de pequenos animais, cultivo de verduras, frutas, arroz, feijão e mandioca, complementam o tratamento. “Trabalhando, os dependentes suam e ajudam a eliminar as toxinas. Depois de nove meses a um ano, muitos ficam completamente curados”.

Irmã Neta assegura que já conseguiu recuperar pessoas que há 30 anos estavam mergulhadas no mundo das drogas e que hoje vivem uma vida normal. A religiosa ressalta que o sucesso depende da boa vontade do dependente e da fé que ele possua de acreditar, realmente, que Deus pode curá-lo. “Sem disposição da pessoa para ser auxiliada, nem Deus pode curá-la do mundo das drogas.

Depois de fazer uma promessa com Deus, comprometendo-se a dedicar a vida a cuidar de pessoas dependentes de drogas, caso ficasse curada de um câncer de útero em estágio terminal, Maria Sinhasique assegura que tudo é possível para quem crer. “Estava desenganada pelos médicos. Curei-me e depois tive um filho, hoje com 21 anos. Esta é a fé que me faz seguir adiante com meu trabalho”.

Apesar de ser diabética, ela não descansa e atravessa madrugadas mexendo tachos de doces, como forma de garantir a renda necessária para custear as despesas da instituição de caridade que dirige.

A quantidade de pessoas atendidas ao longo de duas décadas e meia de trabalhos voluntários, Maria Sinhasique já perdeu as contas. Os números computados nos quatro primeiros anos de atividade da fundação Sarepta de Sidom registram 238 internos na casa de recuperação. Todo o tratamento e despesas são gratuitos.

Atualmente, são 25 internos, dos quais apenas quatro contribuem com R$ 50 mensais e um sacolão básico. “É bom destacar que nem todos ficaram curados. Muitos não tiveram força de vontade para levar o tratamento até o final e acabaram registrando recaídas”.

As pessoas interessadas em contribuir com o trabalho da irmã Neta podem entrar em contato com ela na rua Acre, 39, bairro Ginásio Coberto, onde ela mora e produz os doces e temperos caseiros que vêm, a duras penas, custeando as despesas da fundação de caridade.

Quem desejar conhecer o trabalho na clínica de recuperação, a evangélica convida para as comemorações do sexto aniversário que acontecerá dia 26 de junho próximo. “Já ganhei um boi para o churrasco e é uma forma de agradecer a Deus pelas graças alcançadas neste tempo todo”.
Fonte: O Rio Branco