Liberdade ao dependente químico em recuperação

Imaginem que o dependente químico na ativa, viva num país como pessoas escravizadas e, que o senhor seja a DROGA e o seu VIVER é o pior possível. Mas esse país é o nosso ser, íntimo, mente, sentimentos, e como chegou a esse ponto de ser escravo e como vai chegar a conquistar a sua liberdade no dia-a-dia.

Mas hei que aparece a mão estendida e vem através de nossos familiares, amigos, grupos de mútua ajuda [ AA-Alcóolicos Anônimos, NA- Narcóticos Anônimos ] e dos irmãos cristãos, e começamos o caminho de um dependente em recuperação lenta e gradual. Primeiro ficando limpo e abstênio das DROGAS, segundo promovendo as mudanças no VIVER, que só pode ser estruturado através de um programa em que aprendamos, a começarmos a termos pequenos compromissos, como por exemplo – enviar curriculum para empregos, podar as plantas do jardim, levantar mais cedo, ler a literatura dos grupos de mútua ajuda, conversar com os vizinhos , valorizar as pequenas conquistas. UFA !!! parece ser cansativo todas essas pequenas tarefas, mas isso é o começo de um novo VIVER.

Freqüentar regularmente as reuniões dos grupos de mútua ajuda, e ouvir os companheiros que relatam as suas dificuldades, por exemplo: que o seu pai ou esposa está errada , demonstrou o seu sentimento de desagrado e sugeriu uma solução. E aprendo que esse é o melhor caminho, é por para fora, é falar dos meus sentimentos, angústias e esperanças. Um dos pontos importante é ser honesto comigo mesmo, e se eu não consigo solucionar um problema, não tenha dúvida eu vou pedir ajuda e informações, e vou aplica-las na resolução do meu problema , com a maior boa-vonta de e esmero.

Em alguns momentos do meu dia-a-dia , penso que a vida é simplesmente patética, por que? – o que eu fiz de insanidades, quanto de destruição realizadas, mas hoje o que posso fazer é agarrar-me o que me sobrou, por exemplo – estou bem fisicamente e mentalmente, tenho uma casa e família. E lutar com todas as minhas forças na conservação desses bens materiais e espirituais. Não sou o culpado pela minha doença, mas sou o responsável e estar em recuperação, e a partir de hoje eu tenho a responsabilidade de tratar a minha pessoa com carinho, afeto e proteção.

Aprendi, que nos enganamos a nós mesmos quando pensamos que nossas vitórias e fracassos são definitivos, e percebi que o caminho menos percorrido das nossas vidas, é o caminho da recuperação, que exige crescimento espiritual, que é uma arma poderosa para abatermos os nossos sofrimentos, a nossa dor, as nossas desesperanças, os nossos fracassos, e enfrentar de peito e mente aberta o hoje, o agora, para sentirmos como é dolorida a vida, dói mesmo. Mas eu não vou precisar de voltar a ser o escravo de uma satisfação imediata, quer seja de uma DROGA ou de um COMPORTAMENTO COMPULSIVO para aliviar-me momentaneamente. Vou sim sofrer, mas essa dor vai passar e então eu posso dizer – eu andei no caminho menos percorrido e ainda aprendi o que é o bem VIVER.
Fonte: Casa Dia