Prevenção e repressão ao uso de entorpecentes

Prevenção e repressão foram os principais temas discutidos ontem, durante o segundo dia do Seminário Construção da Política Estadual Sobre Drogas, que está acontecendo no auditório da Secretaria de Estado de Educação (SEE). O evento, que se estende até amanhã, conta com a participação de representantes de diversas áreas, entre elas, o poder judiciário, Polícias Federal, Militar e Civil, assim como setores que vão desde à saúde pública à entidades que atuam na recuperação de dependentes químicos.

A abertura dos trabalhos ontem ficou por conta da infectologista Cirley Lobato, que falou em sua palestra sobre a rota de transmissão de doenças como as Hepatites B,C e aids, que podem ser adquiridas através do compartilhamento de seringas, alicates de unha e até equipamentos usados para fazer tatuagens. Segundo ela, o evento fornece orientações que serão levadas aos jovens de toda a sociedade. Cirley alertou ainda para os perigos que o consumo de drogas, incluindo o álcool, representam para as pessoas que já são portadoras de doenças hepáticas.

Outro ponto alto do dia de ontem foi a palestra sobre repressão, ministrada pelo superintendente da Polícia Federal, Paulo Fernando Bezerra. Ele fez um diagnóstico da situação no Estado, levando em conta o trabalho de fiscalização desenvolvido pelos agentes da instituição, tanto na capital como nos municípios acreanos que fazem fronteira com o Peru e Bolívia. Paulo Fernando disse que a realização do seminário é mais uma prova de que tanto as instituições quanto o governo do Estado estão interessados em discutir e criar políticas de combate ao tráfico e uso de drogas.

Quem também participa dos trabalhos é a psicóloga do Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac), Estela Cordovil. Ela trabalha diretamente na área de desintoxicação, criado pela instituição para auxiliar os dependentes químicos durante suas crises e também presta serviços na Associação Caminho Aberto. Essa iniciativa vai apontar diretrizes para um trabalho de maior qualidade nas áreas de prevenção, tratamento e repressão e pode fortificar o que já vem sendo feito no setor, lembrou.

Entre os presentes também estava o presidente da Associação dos Parentes e amigos dos Dependentes Químicos (Apadeq), Renildo Félix Belém e a Promotora da Infância e Juventude, Kátia Rejane. Ela, por sua vez, espera que as propostas apresentadas durante o evento sejam colocadas em prática, já que acredita que as mesmas podem trazer mudanças benéficas para a área. Hoje, às 8 horas, será feita a inauguração do setor de desintoxicação para dependentes químicos no Hospital Geral das Clínicas e amanhã, sábado, será elaborado um plano de ação com as propostas apresentadas durante o seminário.
Fonte: Página 20