Seminário cria política sobre drogas para o Acre

Entidades e instituições públicas e não governamentais que trabalham com questões relacionadas às drogas estão, desde a noite da última terça-feira (11) reunidas em seminário estadual que objetiva a construção da política estadual sobre drogas no Acre.

Os trabalhos do evento estão acontecendo no auditório da Secretaria de Estado da Educação (SEE) e são uma realização conjunta do governo do Estado, através da Secretaria de Segurança Pública (Sejusp), do Seminário Itinerante Latino Americano (Lats) e do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen-AC). A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e a Rede Acreana de Redução de Danos (Reard) são parceiras no seminário.

O professor Mário Elder de Melo Lima, presidente do Conen, foi um dos conferencistas da manhã de ontem, abordando a situação atual de drogas no Acre. Mário Elder informou que a droga mais consumida no Acre é o álcool, seguida pela maconha, mescla, oxidado, crack e drogas injetáveis. A mescla e o oxidado são substâncias derivadas da folha de coca, acrescida de ácido sulfúreo, querosene e diversos outros produtos tóxicos. Mário Elder disse que a preocupação principal das entidades realizadoras do evento é debater a temática que subsidie a construção de políticas públicas adaptadas à realidade do Acre. Cada estado tem suas questões peculiares sobre drogas, de forma que não adianta querer implantar um modelo que não contemple as questões regionais.

Dependência química é uma doença e não vício

Há pouco tempo a questão do uso de drogas passou a ser incorporada em políticas públicas, com ações efetivas do poder público sobre o assunto. Agora, o governo do Estado passa a dar um tratamento especial à questão. Mário Elder anunciou que até o final do mês uma antiga reivindicação dos profissionais e entidades que trabalham com drogas será atendida. Trata-se da inauguração de uma ala especial no hospital de base, destinada à desintoxicação dos dependentes químicos. Será a primeira unidade de saúde pública direcionada para a recuperação dos dependentes. Um tema polêmico que, por muitas vezes ainda é tratado com preconceito e discriminações. Faz-se necessário esclarecer à população que a dependência química é uma doença e que assim deve ser tratada.

A preocupação das entidades e instituições envolvidas é que todas as ações sejam desenvolvidas numa perspectiva de resgate da cidadania dos portadores desta enfermidade. Presidente do Conen afirmou não ter pesquisas recentes sobre os números de dependentes químicos no Estado. Mas são grandes o suficiente para afirmamos que contribuem, de maneira significativa na desagregação familiar e no aumento dos índices de criminalidade e violência no Acre. Quando o dependente está na crise de abstinência, segundo Mário Elder, vai roubar para manter o vício. A família também sofre as conseqüências e há reflexos negativos na vida profissional e na saúde do dependente químico.

Hoje pela manhã será realizada uma mesa redonda de gestão e políticas do Estado do Acre, seguida, no período da tarde, de grupos de trabalho que darão contribuições ao tema, discutindo prevenção, tratamento, redução de danos e repressão ao uso de drogas. Amanhã será elaborado um plano de ação e assinado um pacto de compromisso interinstitucional. O encerramento oficial acontecerá às 18:30h de amanhã.

Governador e secretário nacional abrem evento

O seminário foi aberto, na noite de terça-feira, pelo governador Jorge Viana, o secretário nacional antidrogas, general Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa, além de secretários de estado (Segurança, Saúde e Educação) representantes do Ministério da Saúde, organizações nacionais e internacionais.

Na abertura foi lançada a Campanha Preventiva e Educativa de Combate à Violência no Acre, coordenada pela delegada Denise Pinho. O secretário de Saúde, Cassiano Marques, anunciou a criação de um Centro de Tratamento de Dependentes Químicos na área ambulatorial do Hospital Geral das Clínicas.

O secretário de Justiça e Segurança Pública, Fernando Melo, abriu oficialmente o seminário e saudou os conferencistas. Logo após falaram o secretário nacional antidrogas, o coordenador Nacional de Saúde Mental – Consumo de Drogas no Brasil, Pedro Gabriel Delgado, e o governador Jorge Viana.

Foi realizada pelo psicólogo Ernst Buning uma exposição audiovisual sobre a incidência de cada tipo de droga nos cinco continentes. Também foi ministrada pelo professor Enok da Silva Pessoa, da Universidade Federal do Acre (Ufac), uma palestra sobre tendências atuais de consumo de drogas no Brasil e no mundo.

Importância do evento

O secretário de segurança, Fernando Melo, disse que a partir do seminário a Sejusp, com ajuda da sociedade, terá condições de traçar políticas específicas ao combate das drogas no Acre, englobando a prevenção, tratamento e repressão. Eu tenho certeza que este seminário será um marco para nossa história, porque passaremos a contar com outra estrutura e outra metodologia de trabalho.

O secretário nacional antidrogas, general Uchôa, explicou que a criação de metodologias de combate à droga é de suma importância para a sociedade. O expectro, quando se trata de combate às drogas, envolve desde o usuário, que você não combate (mas ele está inserido no contexto das rogas), ao traficante e ao crime organizado que você combate. As políticas de combate às drogas têm que detalhar diretrizes para cada uma dessas áreas. Daí a necessidade da integração de todos os órgão de segurança pública, o que felizmente estamos constatando aqui nesta seminário.

O governador Jorge Viana fez um paralelo dos danos causados pelas drogas, citando o Acre e o Rio de Janeiro, cujo governo teve que se valer das Forças Armadas para combater traficantes. Aqui, por sermos um Estado novo e pequeno, ainda podemos nos prevenir chamando a sociedade para resolver nossos problemas, ao invés de chamar as Forças Armadas. Eu penso que devemos reunir todos, as autoridades, as famílias e as pessoa já entregues ao vício, para que a gente possa construir um estado de harmonia, união e paz.
Fonte: O Rio Branco