Côn. Vidigal – Reflexões sobre o alcoolismo

O infausto caso envolvendo o Governante máximo da nação brasileira, com todos os seus desdobramentos divulgados na Imprensa, trouxe a baila o problema do alcoolismo. Em entrevista à Revista “Isto é” o Presidente declarou: Fiquei indefeso. O Brasil não é governado por um alcoólatra. Não há duvida sobre isto e o testemunho público do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que tão bem conhece Luís Inácio Lula da Silva, aumentou ainda mais esta certeza. Alcoolismo é a intoxicação aguda ou crônica, provocada pelo consumo de bebidas espirituosas. Quem se entrega ao mesmo pode se tornar um viciado com toda as conseqüências funestas de uma escravidão que conduz a enormes males morais e físicos. A embriaguez resultante de grande libação é facilmente identificada no modo de andar cambaleante, no falar desconexo, na debilidade da voz, nos gestos e atitudes deselegantes ou indecorosas. Quem está bêbado, grogue, se torna, por vezes, agressivo, invasivo. Ai de quem ficou dependente deste vício da embriagues! Todo o organismo fica comprometido, sendo afetado a aparelho digestivo, a circulação sanguínea permanece perturbada, os rins passam a funcionar mal, o fígado é gravemente atingido e o sistema nervoso alterado. Além do corpo, a alma se enlameia na imoralidade e o alcoólatra acaba se entregando a um sem número de delitos. O lar de um borracho se torna um inferno e nada compromete tanto o casamento do que a infelicidade desta sânie mental que toma conta do dipsomaníaco. O dipsomano é um causador de desventuras para si e para sua família. Ébrio, chega a espancar o consorte e os filhos, promove, até, a destruição dos bens do lar, causando prejuízos sobre prejuízos. Sua vida profissional e ética fica totalmente afetada. A decadência psicossomática se torna, dia a dia, mais visível e o delírio alcoólico, denominado pelos médicos de delirium tremen, é o triste fim de quem não conseguiu vencer seus desvarios de emborrachado inveterado. Quantas taras físicas e mentais são fruto dos erros dos pais que se deram à carraspana! Nem sempre os borrachos aceitam se internar em clínicas especializadas para se curarem ou não freqüentam a benemérita associação dos Alcoólatras Anônimos. O problema daqueles que parecem sanados é a perseverança. Os experts mostram que um dos efeitos da ebriedade é exatamente o enfraquecimento da vontade. Sem auto-domínio é impossível a qualquer pessoa vencer as tentações, sejam elas quais forem, sobretudo a do porre. Um absurdo é um indivíduo, servo da bebedice, dirigir qualquer veículo. Quantas mortes são, de fato, causadas por estes malucos que, nas cidades e nas estradas, atentam contra a vida do próximo. Irresponsáveis a vitimarem inocentes. O etilismo deve ser combatido veementemente. Numa sociedade de consumo, como a atual, na qual a propaganda incita à bebida, o problema, enormemente, se complica. É o paradoxo que impera em tantos aspectos da ética. A ganância fala mais alto que a saúde dos indivíduos! Por outro lado, quantos erroneamente pensam que no estado etílico podem sufocar suas carências interiores, afastar suas aflições. Trata-se de uma compensação inteiramente descabida. O ser racional tem que possuir um caráter firme e se precaver de todo estado depressivo. Saber resolver com discernimento os problemas da vida, inclusive premunindo-se dos mesmos. Para tudo na existência há solução, mas esta nunca virá do abismo tenebroso de vícios que agravam profundamente as dificuldades existenciais.
Fonte: Católica