Psiquiatra treina equipe para tratar drogados

Começou ontem e termina amanhã, no auditório do Departamento de Ações Básicas de Saúde (Dabs), o curso de capacitação sobre o tratamento de desintoxicação de drogados que está sendo ministrado pelo psiquiatra Paulo Roberto Araújo de Macedo para médicos e funcionários do Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac) ao Centro de Apoio Psico Social (Caps) e aos que trabalharão no centro de Desintoxicação de Drogados, que passará a funcionar integrado ao pronto-socorro a partir de junho.

Paulo Roberto é psiquiatra especializado em dependência química, mestre na Escola de Medicina Psiquiátrica de São Paulo (Unifesp) e técnico da área de Saúde Mental do Ministério da Saúde.

Segundo ele, as estatísticas apontam que, de cada cem reais gastos com o tratamento de drogados, R$ 88 são para o atendimento de pessoas que sofrem com a dependência alcoólica.

“Toda e qualquer substância psicoativa, seja ela de uso legal ou ilegal, causa prejuízos orgânico e dependência cujo dano é diferenciado pela freqüência e volume utilizado”, explica o médico. “O uso de álcool e tabaco são os grandes contribuintes paras o aumento de danos à saúde da população. Diante dessa situação é necessário trabalhar com a redução de danos de modo a minimizar, atenuar e até eliminar práticas nocivas à saúde”.

Ele destacou que o consumo de drogas é causado pela busca do prazer fortemente influenciado pelos fatores culturais e pressão dos pares. Esclareceu existirem evidências científicas de que há mecanismos biológicos que facilitam a dependência química. O que acaba sendo agravado por elementos psicológicos, sociais, ambientais e culturais.

Uma dura luta – Trabalhar para que as pessoas mudem sua atitude frente ao mundo vem sendo uma das melhores técnicas para combater a dependência. Para isso a primeira coisa é identificar em que fase esse dependente está. Se ele ainda não percebeu que está dependente está na fase pré-contemplativa, se já percebeu e não sabe o que fazer é um contemplativo, quando decide que tem de fazer alguma coisa entra na fase da determinação, quando toma as providências e se trata está em ação, cura e daí tem de se cuidar.

“Essa última é a fase da manutenção que o acompanhará pelo resto de seus dias. Mas nós não devemos nos surpreender se o dependente tiver uma recaída em qualquer uma destas fases. É preciso saber trabalhar com os diferentes momentos do paciente”. Explica o médico que então sugere: “As substâncias psicoativas causam prazer, então é preciso trabalhar um projeto que ofereça outras opções de prazer para as pessoas e reconheço que é difícil fazer isso numa sociedade em crise com desemprego e miséria crescente”.
Fonte: Página 20