Segurança/Traficante é ouvido em juízo e nega comercializar drogas

Cercado de muita expectativa, o depoimento de Raimundo Alves de Souza, considerado o maior traficante de Salvador, terminou exibindo um conteúdo previsível: interrogado pelo juiz Antônio Roberto Gonçalves, titular 2a Vara de Tóxicos, o réu negou a acusação de comercializar drogas ilícitas e se apresentou como apenas um empresário da noite

Admitiu, no entanto, haver vendido entorpecentes no passado.

De camisa de seda listrada amarela e preta, e óculos escuros, Raimundo, também conhecido como Raimundão ou Ravengar, chegou ao Fórum Desembargador Carlos Souto escoltado por três policiais militares do Batalhão de Guarda. O depoimento começou às 14h e se estendeu até as 17h30.

Raimundão disse estar sendo perseguido e denunciou que os vestígios de drogas encontrados na sua casa no Alto de São Gonçalo, o chamado Morro do Águia, no dia 10 de janeiro deste ano, foram “plantados” por inimigos. “Ele não contou quem são esses inimigos. Raimundo se refere a si mesmo como uma vítima de seu passado como traficante”, explicou o juiz da 2a Vara Antônio Roberto Gonçalves.

A imprensa não pôde ouvir o traficante, apesar de o magistrado, o advogado do acusado e o próprio Ravengar não colocarem qualquer obstáculo a esse contato. O juiz Antônio Roberto alegou que o acusado se negava a aparecer algemado perante os repórteres. Já o defensor de Ravengar, Antônio Carlos Santos, apresentou uma outra versão: “O magistrado diz que o espaço é inapropiado”, disse.

Outros seis acusados de envolvimento com o chamado esquema Ravengar já foram ouvidos. Os depoimentos começaram na quinta-feira à tarde, com a oitiva de Sueli Napoleão, esposa do traficante, e prosseguiram no dia seguinte com os cunhados de Raimundo, Josimar Silva Napoleão, 23, e Sílvio da Silva Napoleão, 31; o sogro dele, José Napoleão Filho, 62; e o tio de Sueli, Manoel Benedito Napoleão, 65.

Ainda na sexta-feira, a esposa de Josimar, Djeane Santos, 21, que tinha prisão preventiva decretada e estava foragida se entregou à Justiça. Até a próxima sexta-feira serão ouvidos os policiais civis, militares, outros familiares de Ravengar e o oficial de justiça Osmário Werner, todos acusados de associação para o tráfico de drogas.

Coletiva – A anunciada entrevista coletiva de Ravengar, prevista para a manhã de ontem no Presídio de Salvador, terminou não acontecendo. Após duas horas de espera em frente ao Complexo Penitenciário do Estado, no bairro da Mata escura, representantes de diversos veículos de comunicação foram informados de que a autorização oficial para o encontro com a imprensa não fora fornecida pela Secretaria da Justiça e Direitos Humanos.

De acordo com o advogado Mário César, também defensor de Raimundo, a SJDH alegou não ter havido tempo hábil para apreciar o pedido relativo à entrevista: “Os documentos somente foram levados hoje (ontem) para a SJDH, porque o superintendente de Assuntos Penais Virdal Antônio de Mattos Sena estava viajando e somente chegou a Salvador sexta-feira à tarde”, justificou. Não há previsão sobre a data em que a entrevista poderá ser autorizada.
Fonte: Correio da Bahia