Fumante brasileiro ganha pouco e não tem acesso a tratamento

Pesquisa mostra que 71% dos 40 milhões de fumantes no país ganham até 5 salários-mínimos. Na Capital, só dois centros tratam pacientes pelo SUS.

Pelo menos 71% dos fumantes brasileiros ganham até cinco salários-mínimos e quase 35% são analfabetos. Esta foi a situação encontrada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), que acaba de concluir um estudo sobre tabagismo no país. Outra pesquisa, divulgada ontem pelo Instituto do Coração (Incor), confirmou esta realidade. Um fumante de baixa renda só procura tratamento quando tem pelo menos duas doenças crônicas ligadas ao problema, como pressão alta e insuficiência cardíaca. Os dependentes de melhor nível econômico fazem isso no primeiro diagnóstico.

A situação é ainda pior quando se vê que no Brasil existem apenas seis centros de referência do Sistema Único de Saúde (SUS) para atender cerca de 32 milhões de tabagistas que gostariam de parar de fumar. Na Capital, somente o Hospital São Paulo e o Hospital das Clínicas de Marília, segundo o Ministério da Saúde, oferecem tratamento completo aos fumantes, que incluem psicoterapia, medicamentos, adesivos e gomas de nicotina. Outras unidades em São Paulo, como o Hospital das Clínicas de Campinas e o Centro de Referência Comunitário de Álcool, Tabaco e Outras Drogas possuem apenas grupos de psicoterapia.

No Dia Mundial sem Tabaco, que será comemorado no dia 31, o Ministério da Saúde deve assinar uma portaria que pretende aumentar para 190 o número de unidades de tratamento para tabagistas. Sem a ajuda do governo, os fumantes de baixa renda, que são os principais dependentes, não têm condições de se livrar do vício, comenta a psicóloga Silvia Cury, coordenadora do programa de combate ao fumo da SBC, que entrevistou 1.200 pessoas de 70 cidades brasileiras para o estudo sobre tabagismo.
Fonte: Diário de São Paulo