Brasil vai derrubar aviões suspeitos de narcotráfico

O Brasil deve permitir que a Força Aérea comece a derrubar aviões suspeitos de traficar drogas em suas florestas no mês que vem após um atraso de seis ano na adoção da polêmica medida, disse á Reuters na quarta-feira o ministro da Defesa José Viegas.

O ministro acrescentou que um decreto que permita a derrubada de aeronaves suspeitas é necessário para “evitar que haja uma violação constante por narcotraficantes de nosso espaço aéreo”. Ele afirmou esperar que a decisão seja bem recebida internacionalmente.

“Eu tenho a expectativa de pôr o decreto em vigor no mês de junho”, disse o ministro em entrevista à Reuters, na qual afirmou ainda que um decreto foi elaborado para forçar os pilotos a seguirem uma série de normas rígidas antes de derrubar um avião.

Uma lei permitindo essa medida existe há seis anos, mas ainda não havia sido sancionada pelo presidente.

A Amazônia, que faz fronteira com a Colômbia e o Peru, é constantemente usada por narcotraficantes para transportar cocaína para os mercados do Brasil e de outros países.

A polêmica em torno da derrubada de aviões suspeitos vem crescendo desde 2001 quando a Força Aérea peruana derrubou uma pequena aeronave matando um missionário norte-americano e sua filha.

Após o incidente os Estados Unidos suspenderam seu apoio a política colombiana de interceptação de aviões, mas voltou a concordar com a medida no ano passado.

Segundo Viegas, o governo peruano também negocia com Washington a retomada deste tipo de operação.

Ao contrário de Colômbia e Peru, o Brasil não precisa de ajuda norte-americana para derrubar aviões suspeitos, pois tem seu próprio radar e caças para executar a operação.

O ministro disse que as normas rígidas que deverão ser seguidas pelos pilotos antes do ataque a aeronave suspeita vão garantir que “a chance de erro é praticamente zero”.

Os aviões suspeitos não serão atacados se tiverem respondido a contatos via rádio, indicações para pousar e, como último recurso, tiros de alerta. Sua rota de vôo e identificação também serão checadas.

Viegas disse que a permissão para derrubar aviões suspeitos será limitada para algumas regiões do Brasil– “rotas usualmente frequentadas por traficantes de drogas, excluindo as áreas povoadas e os corredores de aviação civil”.

No passado, aviões carregados com drogas entravam e saíam do espaço aéreo brasileiro para evitar que fossem derrubados do lado colombiano.
Fonte: Yahoo Brasil