Consumo de crack causa aumento de homicídios em MG

O secretário nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, afirmou ontem, em Belo Horizonte, que o tráfico de crack é o grande responsável pelo aumento considerável dos índices de homicídios na capital e em outras grandes cidades do país.
Para Miranda, além do crack, outro fator que está contribuindo decisivamente para o crescimento dos índices é a disseminação do uso de armas de fogo. Ontem, o Hoje em Dia divulgou estudo do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG, mostrando um grande crescimento do percentual de homicídios em BH, entre as décadas de 80 e 90.

O prefeito Fernando Pimentel comentou ontem a pesquisa do Crisp. Segundo ele, “a prefeitura criou e implantou a guarda municipal, que é um instrumento efetivo para cuidar dos próprios municipais, postos de saúde, escolas, repartições públicas, e, com isso, liberar o policiamento da Polícia Militar, para fazer a segurança da cidade. Estamos com um efetivo inicial de 300 homens e vamos chegar, aos poucos, a três mil homens. Com isso, estamos dando uma contribuição muito grande para que a Polícia Civil e a Polícia Militar cumpram a sua função”.

O prefeito argumentou, ainda, que a questão da criminalidade é grave no Brasil inteiro. “Em Belo Horizonte piorou, mas nós temos boa polícia, eficiente, e eu confio que isso, unido aos programas sociais que a prefeitura e o Governo do Estado desenvolvem, vai conseguir enfrentar a questão bem”, afirmou Pimentel.

Já o secretário Nilmário Miranda disse, durante a manhã, que ainda não tinha conhecimento dos números divulgados ontem. Mas afirmou que “tem conhecimento deque Belo Horizonte está situada entre as grandes cidades com altos índices de criminalidade, principalmente de mortes provocadas por homicídios, acidentes de trânsito e até suicídios”. E acrescentou: “Está comprovado que a entrada do crack no Estado é o grande causador do grande aumento do número de homicídios”.

Nilmário Miranda disse que “a facilidade para se conseguir armas de fogo também contribui claramente para isto. Por isso, o combate ao crime tem que começar pelo combate sem tréguas ao tráfico de drogas e por criminalizar o porte de arma. A partir daí, estaremos começando a combater efetivamente o crescimento dos índices desses crimes”.

A socióloga e professora da UFMG Luíza Lamounier comentou: “Este assunto é gravíssimo, pois estamos vendo que a violência está aumentando não só em Belo Horizonte, mas em todo o país. No Canadá, na América do Norte, por exemplo, a média de homicídios é de 25 por ano, enquanto aqui, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, temos mais que isto a cada fim de semana”. Para a socióloga, “há um esgarçamento dos costumes e do tecido social, e as pessoas estão perdendo o sentido do respeito, porque tudo ficou muito comum. O sentido da vida ficou muito banalizado”.

O deputado Durval Ângelo, PT, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, também comentou o estudo do Crisp: “Não tenho dúvidas de que Belo Horizonte é uma cidade muito violenta, mas existe um pacto de silêncio em vários setores, para evitar que esse assunto seja mostrado com realidade”.

Para ele, “o pior é que os números desses crimes na Capital não são verdadeiros, porque os casos de pessoas que são agredidas e morrem um mês, um ano ou mais depois, em hospitais, não são computados como homicídios”.
Fonte: Terra