EUA podem cortar ação antidrogas com o Brasil

Os Estados Unidos disseram na quinta-feira que pretendem cortar a cooperação com o Brasil no combate ao narcotráfico, caso os militares brasileiros comecem a abater aviões suspeitos sem que Washington tenha concluído que há salvaguardas suficientes.

Autoridades norte-americanas dizem estar analisando a proposta brasileira de permitir que a Força Aérea Brasileira (FAB) abata, talvez já a partir de junho, aviões suspeitos de transportarem drogas sobre a Amazônia.

O Peru já adotou um programa semelhante, que gerou polêmica por causa de uma desastrada ação em abril de 2001, quando uma missionária norte-americana e sua filha foram mortas depois que seu avião foi confundido com uma aeronave de traficantes.

Depois disso, os EUA suspenderam o apoio aos vôos de interceptação de drogas no Peru e na Colômbia. Mas retomaram o programa na Colômbia em 2003, depois de longas negociações. O Peru também está discutindo com Washington as condições para reativar o esquema.

Ao contrário de Peru e Colômbia, o Brasil não precisa de ajuda dos EUA para abater aviões suspeitos, porque tem seus próprios radares e caças. Mesmo assim, autoridades norte-americanas alegam que o Brasil poderia se beneficiar de informações recolhidas pelos Estados Unidos.

Pela lei, para apoiar tal programa os EUA devem declarar formalmente que ele adota procedimentos adequados de segurança para evitar erros e impedir punições a funcionários norte-americanos eventualmente envolvidos.

“Informamos às autoridades brasileiras que, por razões de responsabilidade civil, o governo dos EUA precisaria suspender a assistência relevante ao Brasil caso ele implemente tal programa sem satisfazer às exigências legais dos EUA”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, em nota à imprensa.

“Queremos ajudá-los. Mas há toda a questão da responsabilidade civil”, disse uma fonte norte-americana, que pediu anonimato. “Até que ponto o pessoal dos EUA que de alguma forma estivesse envolvido na cadeia de informação poderia ser responsabilizado?”

A Amazônia brasileira, que faz fronteira com países produtores de cocaína, como Colômbia e Peru, é cada vez mais usada como rota do tráfico para o mercado brasileiro e para outros lugares.

O ministro da Defesa, José Viegas, disse na quarta-feira à Reuters que o Brasil deve autorizar em junho a FAB a abater aviões suspeitos, mas que haverá regras rígidas para garantir que “a chance de erro seja praticamente zero”.

Os aviões só serão abatidos depois de uma tentativa de contato por rádio, de ordens para pousar e, finalmente, de tiros de advertência. Suas rotas e prefixos também serão verificados.

A análise das salvaguardas pelos EUA deve levar algum tempo. No caso da Colômbia, por exemplo, a negociação levou mais de um ano, até que em agosto de 2003 o governo Bush se declarasse satisfeito com as garantias oferecidas.
Fonte: Yahoo Brasil