Diversos eventos marcam Dia Mundial de Combate ao Fumo

Hospital Aristides Maltez realizou simpósio antitabagismo, onde foram discutidas estratégias para largar o vício

Quem não sabe que o cigarro faz mal? Mas, para os fumantes, como realmente abandonar o hábito, que mata um pouquinho a cada tragada? Esse foi o tema escolhido pelo Hospital Aristides Maltez (HAM) para marcar o Dia Mundial do Combate ao Fumo, comemorado ontem. A data também foi lembrada em várias escolas, hospitais e instituições da cidade. O esforço geral é para tentar conter o consumo de cigarro, especialmente entre os jovens – futuros fumantes em potencial -, e as pessoas de baixa renda, que sofrem ainda mais com as doenças provocadas pelo tabaco.

No HAM, o II Simpósio Antitabagismo concentrou esforços em quem já é fumante. Médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde discutiram com pacientes e com pessoas da comunidade estratégias para deixar o vício. O primeiro passo, sem dúvida, é o próprio fumante desejar parar. De acordo com o médico Alberto Nogueira, coordenador do simpósio, não são raros os casos de pessoas que simplesmente decidem parar por si mesmas e conseguem êxito. Infelizmente, muitos não têm essa sorte. Depois de várias tentativas frustradas, eles chegam a desanimar.

“Quando o paciente tem vontade de deixar o fumo e não consegue, não é porque ele é fraco. O cigarro é uma droga que gera dependência. Nesse momento, se ele não consegue parar sozinho, é preciso procurar auxílio médico”, orienta Nogueira. Ele diz que já existem vários medicamentos, tratamentos, terapias e grupos de auto-ajuda para enfrentar a dependência e libertar-se definitivamente do tabagismo. A psicóloga Suzane Bandeira, do HAM, diz que o apoio é fundamental para que o fumante se sinta mais seguro. “Se o fumante tenta deixar e volta no primeiro momento de estresse, isso é muito frustrante para ele. Por isso, é importante o apoio nessa hora”, explica.

Jovens – Na antiga Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Terreiro de Jesus, a mobilização foi voltada para os possíveis futuros consumidores do cigarro. Jovens de vários colégios de Salvador participaram de palestras, debates e diversas atividades para discutir sobre os males do fumo com o médico Adelmo Machado Neto. Numa pesquisa entre adolescentes de escolas particulares de Salvador, ele detectou que cerca de 9,5% deles fumam. Os meninos são maioria. A influência dos pais fumantes, dos amigos e até da mídia foram fatores citados pelos jovens para o primeiro contato com o cigarro.

Nem todo mundo, porém, cai nessa. “Para mim, fumar é ridículo”, decreta a estudante Ana Luíza Klose, 14 anos, aluna do Colégio Maristas. Mesmo tão jovem, ela tem amigos fumantes. “O pessoal já fumava desde a 5ª série, mas eu nunca achei legal. As pessoas querem tirar onda, mostrar que já são mais velhos, mas estão apenas estragando a própria saúde”, analisa. Já Tarcísio Santana, 19 anos, teve uma relação bem próxima com o cigarro. Ele fumou desde os 15 anos, mas jura que parou há três dias. “Se eu vou voltar a fumar? Tá doido! Isso aí vai me matar. Parei e não estou sentindo nenhuma vontade de fumar, ainda bem”, declara.
Fonte: Correio da Bahia