Serviço de desintoxicação para dependentes químicos é inaugurado

Os dependentes químicos têm, agora, um local adequado para o tratamento de desintoxicação. O governo do Estado inaugurou, ontem pela manhã, o serviço de desintoxicação de álcool e outras drogas, na ala que recebeu o nome da assistente social Simone Maria Teles, localizada no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco.

O governador Jorge Viana afirmou que se trata de espaço onde os excluídos terão acesso a tratamento adequado e de qualidade. Este serviço é para aqueles que não têm alternativas de realizarem tratamento fora do Estado. Com o funcionamento da nova ala, segundo Viana, o governo busca sair da rotina doente versus hospital. Estamos indo além, procurando entender as doenças da nossa sociedade e apresentar possibilidades concretas de tratamento. A problemática do uso de álcool e outras drogas é uma questão grave no Estado. Fiz questão de estar presente porque a solidariedade é muito importante. Tenho acompanhado o drama de muitas famílias. É um problema que afeta as famílias e elas não conseguem sair sozinhas.

Os diversos parceiros foram citados por Viana na luta pela implantação de um serviço específico para o início do tratamento de desintoxicação para os dependentes químicos. O governo está se somando aos esforços para que se traga de volta ao convívio social algumas pessoas que hoje estão na dependência. É uma ousadia nossa e não sabemos se o caminho é correto. Se todos estiverem juntos nesta caminhada, teremos mais chances de acertar.

Cassiano Marques, secretário de Saúde, informou que a ala possui 18 leitos, cujo tratamento possui três fases distintas. A triagem dos pacientes será feita através do serviço de emergência do pronto-socorro. Depois de uma avaliação médica, o paciente será transferido para a ala de desintoxicação, onde permanece por cerca de sete dias. Findo este período inicial, o dependente é encaminhado para tratamento mais prolongado junto às comunidades terapêuticas que já vêm realizando este tipo de atendimento no Acre.

Para o representante do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen), Mário Elder de Melo Lima, a instalação deste serviço na rede pública é de suma importância. O dependente químico é portador de uma doença e merece tratamento adequado. Este é o primeiro passo para que se construa um hospital para se atender esta demanda. Mário Elder destacou o empenho das comunidades terapêuticas, dos grupos de auto-ajuda e também do governo do Estado para concretização deste serviço. Segundo ressaltou, o tratamento clínico faz com que o dependente químico deixe de ser visto como um doente mental, passando a ter acesso a um tratamento especializado. A estimativa é que o serviço atenda cerca de 12 pessoas por dia. Mário Elder destaca que, em nível mundial a Organização Mundial de Saúde (OMS) avalia que entre 10% a 15% de toda a população tenha uma predisposição para a dependência química, sendo que nem todos necessitam de um tratamento de desintoxicação. Uma equipe preparada é que fará a avaliação do quadro clínico para definir se o paciente necessita, ou não, de um tratamento especializado.
Fonte: O Rio Branco