Suíça não debate legalização da maconha e libera licor de absinto

Os deputados do parlamento suíço se recusaram a abrir o debate sobre a legalização da maconha, mas autorizaram o consumo de licor de absinto, uma bebida com efeitos alucinógenos proibida há quase um século.

Depois de mais de quatro horas de debate acalorado entre os setores mais progressistas de esquerda – partidários da liberação da maconha – e a direita conservadora – reticente a qualquer concessão sobre o assunto -, a proposta foi derrotada ontem à noite por 102 votos contra e 92 a favor, com duas abstenções.

Anteriomente, na mesma câmara parlamentar, 142 deputados votaram a favor e 13 contra a autorização do consumo legal do licor de absinto, uma das drogas favoritas de poetas e artistas por mais de um século.

“Que tipo de mensagem vão dar à juventude deste país ao legalizar o licor de absinto e não querer discutir sobre este projeto?”, perguntou no debate a deputada ecologista Anne Catherine Menétrey.

O projeto, que tinha sido aprovado anteriormente pelo Conselho parlamentar, põe fim a mais de uma década de debate sobre a droga.

No entanto, as autoridades judiciais e policiais já advertiram que não haverá um endurecimento da repressão contra os fumantes de haxixe e maconha, drogas derivadas do cannabis, cujo consumo nos últimos anos se espalhou pelo país com a ambigüidade da legislação e a tolerância e conivência da opinião pública.

Nos últimos anos, proliferaram os cultivos da maconha em diversas partes da Suíça, assim como as associações de defesa da droga, incluindo lojas que vendem produtos derivados da planta.

Com o aumento da produção, as autoridades apertaram o cerco.

Trinta mil plantas foram destruídas no cantão (unidade administrativa) de Neuchatel, além do confisco de maconha em 75 lojas do cantão de Tesino e de 20 quilos da droga em uma empresa do cantão de Genebra.

No entanto, vários políticos, juízes e policiais confessam a incapacidade de tomar medidas mais rígidas contra o entorpecente que conta com certa popularidade. Eles são a favor de dar prioridade à luta contra outras substâncias, como a cocaína ou a heroína, cujos efeitos são muito mais prejudiciais.

O comércio de maconha na Suíça parece com o do licor de absinto, que foi proibido no país em 1908, mas que ainda é produzido clandestinamente.

A decisão dos deputados de autorizar o comércio do licor põe fim a quase um século de proibição da bebida, preferida pela boemia artística parisiense de fins do século XIX, entre eles o pintor Vincent Van Gogh, o poeta Paul Verlaine e o dramaturgo Oscar Wilde.

A bebida contém nível alcoólico elevado e a ela são atribuídas propriedades alucinógenas, ataques epilépticos e problemas renais.

Por isso, as autoridades suíças decidiram limitar seu conteúdo máximo de thuyone, substância considerada altamente perigosa para a saúde.

A legalização do licor, elaborado atualmente de maneira artesanal, a base de absinto e outras ervas, já preocupa os produtores, pela possibilidade de haver um decrécimo em seu consumo como conseqüência do fim da proibição.

Alguns consumidores de maconha ou haxixe devem estar pensando agora se será necessário esperar outro século para a legalização da erva ou se devem aproveitar essa clandestinidade.
Fonte: UOL