Porque alguns médicos receitam drogas (remédios) contra a depressão, se elas causam dependência?

Devido ao uso popular, a palavra depressão perdeu o significado psiquiátrico e passou a significar tristeza. “Estou deprê”, na fala dos jovens, quer dizer “estar muito triste”. A tristeza é o polo oposto da alegria e faz parte do humor natural. Ela é proporcional ao estímulo recebido e não deve ser medicada porque, naturalmente, temos força para suportá- la.

A doença depressão é muito mais forte que a tristeza e domina a pessoa, tirando- lhe qualquer possibilidade de recuperação por vontade própria. Pode ser cíclica, isto é, aparecer e desaparecer periodicamente, alheia á vontade de quem quer que seja. Os sintomas dessa doença são: sofrimento e agonia muito grandes; perda da capacidade de resolver as situações do cotidiano, da expressão facial, do humor e do apetite; desânimo; pensamentos sombrios; idéias de suicídios; etc. Em geral, esse tipo de depressão tem fortes tendências hereditárias e deve ser medicada por psiquiatras com antidepressivos que não viciam e não causam dependência, nem física nem psíquica.

A confusão que os leigos fazem é entre antidepressivos e psicoestimulantes. Ambos podem elevar a vigília, mas somente os antidepressivos tratam a depressão. Os psicoestimulantes não têm ação sobre os núcleos depressivos; eles viciam e causam dependência psicológica, sendo ultilizado para os leigos para aumentar o tempo de vigília ao estudar em véspera de provas, por exemplo, ou para trabalhar numa jornada extra, ou ainda para tirar o apetite (forçando um regime de emagrecimento).

Como primeiros tratamentos contra a depressão severa (endógena) com riscos de suicídio foram usados os eletrochoques. Depois vieram os IMAQ (inibidores da monoaminoxidase), que não eram muito práticos, visto que seus usuários podiam ingerir leite nem seus derivados. Em seguida vieram os tricíclicos que tinham o incoveniente de engordar as pessoas.

Atualmente os antidepressivos estão divididos em fluoxetinas e paroxetinas, que não engordam, têm poucos efeitos colaterais e são de fácil administração. Isso comprova o quanto a medicina estuda suas medicações para aperfeiçoá- las, o que não ocorre com as drogas que os traficantes vendem.