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Etilismo em crianças

Não existe uma idade definida para qualificar a criança dependente de álcool. Segundo a Dra. Sandra Scivoletto, coordenadora do GREA – Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas e responsável pelo Ambulatório de Adolescentes e Drogas do Sepia – Serviço de Psiquatria da Infância e Adolescência, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, “estudos epidemiológicos brasileiros e do exterior mostram que a idade de início de uso de álcool e drogas vem diminuindo”. Uma pesquisa realizada em 1993, em dez capitais brasileiras, mostrou que a idade média do início do uso era de 13 anos. “Em 1997, um trabalho realizado com adolescentes em tratamento no GREA mostrou que eles têm começado a beber, em média, aos 11 anos de idade, com casos raros em que se iniciou aos 4 anos de idade”, alerta a médica.

Não é à toa, portanto, que o que mais preocupa os profissionais de saúde é que cada vez mais cedo a criança está começando a beber e a se drogar. “Quanto mais cedo começa, mais cedo a possibilidade de se tornar um usuário regular e, posteriormente, um dependente”, afiança a psiquiatra. Mas por que a criança bebe? “São vários os motivos”, garante Dra. Sandra. Ela explica que são cinco os principais fatores desencadeantes: influência do grupo de amigos, fatores familiares, fatores individuais, fatores biológicos e fatores sócio-culturais e comunitários.

“Cada caso é um caso, com influência maior ou menor dos fatores de risco”, assegura, arrematando que mesmo estudos que tentaram identificar os principais motivos apresentaram resultados conflitantes.

As conseqüências desse beber tão cedo são funestas. Embora não exista, na infância e adolescência, sintomas físicos da dependência como no adulto (tremor, irritabilidade ou síndrome de abstinência quando sem o álcool), o diagnóstico de dependência é feito com base nas conseqüências do uso, tais como mau rendimento escolar ou até abandono da escola, isolamento da família, discussões em casa, abandono das atividades de lazer que antes eram prazerosas. “O adolescente ou a criança passa a escolher suas atividades de lazer usando como critério locais onde terão ou não a bebida”, explica a médica. Também não importa quanto o adolescente bebe ou com que freqüência. “Se ele mantém conseqüências, já é considerado dependente; por exemplo, um adolescente que bebe todo final de semana e não consegue se divertir sem a bebida, pode-se dizer que é um dependente de álcool para se divertir”.

O futuro dessas crianças pode ficar comprometido. Começando cedo a beber, incorporam o álcool ao seu desenvolvimento. “Ou seja, serão adolescentes inseguros quanto às suas capacidades quando estiverem sem a bebida; estes adolescentes poderão ter mais dificuldades para se realizarem profissionalmente ou até mesmo na escolha vocacional; portanto, o desenvolvimento de sua personalidade/auto-estima será afetado”, garante a médica. Some-se a isso a possibilidade do álcool funcionar como porta de entrada para drogas mais pesadas e temos um quadro que merece uma abordagem. “O tratamento consiste em terapia individual, terapia de grupo e terapia familiar; a participação da família no tratamento é fundamental; conclui.
Fonte: ABRAFAM