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Mais de 900 pessoas lutam contra a dependência química na região

A cidentes de trânsito, detenção pela Polícia duas vezes por envolvimento em brigas, desistência da escola e passagem por três comunidades terapêuticas. Essa é apenas uma parte da história de um jovem, filho único de uma família de classe média e que aos 14 anos teve o primeiro contato com a cocaína. ?Destruí minha vida?, avalia. Hoje, aos 19 anos, é voluntário em uma entidade que trata dependentes químicos em Novo Hamburgo. Segundo levantamento feito pelo Jornal NH, cerca de 933 pessoas estão em tratamento nos vales do Sinos, Caí e Paranhana, e na Serra gaúcha.

Como o Conselho Municipal de Entorpecentes de Novo Hamburgo (Comen) prevê que 20% dos dependentes, no máximo, procuram ajuda, os 933 pacientes indicam que há mais de 4,6 mil usuários de álcool e drogas ilícitas na região. Conforme a presidente do Comen, Rosangela Scurssel, os dependentes, em sua maioria, são encaminhados a tratamento por familiares. ?Desesperados, eles procuram ajuda porque não agüentam mais a situação. O usuário só busca apoio quando já perdeu tudo o que tem?, afirma. Na opinião de Rosangela, o preconceito faz com que a busca por uma solução seja adiada. ?Há vergonha e medo de que o filho seja visto como um drogado. A sociedade, infelizmente, não vê o dependente como um doente?, comenta.

Procurar tratamento, no entanto, não significa solução instantânea. O coordenador da triagem da Fazenda do Senhor Jesus, em Novo Hamburgo, João Batista Siebel, explica que o êxito na recuperação atinge entre 15% e 20% dos dependentes. ?Isso mostra o quanto é grave a situação. Não existe cura e recuperação plena, pois o dependente sempre precisará se autovigiar?, argumenta. Na fazenda, que atende meninos entre 12 e 18 anos, 60% dos casos são relativos ao craque. Uma ferramenta importante na recuperação é o apoio familiar, segundo Benoni Emilio Moraes, diretor do Centro de Recuperação Vale a Pena Viver, em Gramado. ?Quando a família ajuda, 80% dos que cumprem o programa permanecem de pé?, afirma.

Há centros de tratamento para a dependência química em 12 municípios da região. Onde não há comunidades terapêuticas, os dependentes químicos são encaminhados a outras cidades. ?Eu fui internado em Caxias do Sul, Casca e, por último, em Novo Hamburgo?, conta o estudante de 19 anos ouvido pelo Jornal NH. Já em algumas cidades, os leitos hospitalares são reservados a dependentes. ?Temos oito específicos?, comenta o supervisor do Departamento de Saúde Mental de Santo Antônio da Patrulha, Paulo Peixoto, acrescentando que as vagas estão sempre ocupadas.
Fonte: Jornal NH