Ameaça de nova guerra amedronta Rocinha

A morte do traficante André da Costa Brito, conhecido como Zarur, que liderava a Rocinha, revelou que a tensão na favela, maior ponto de venda de drogas no Estado, está longe do fim. Apesar do predomínio da facção Amigos dos Amigos (ADA), traficantes ligados aos rivais do Comando Vermelho, que comandavam a venda de drogas até abril, resistem em deixar a região. De acordo com moradores, as trocas de tiros têm sido diárias e eles temem um novo banho de sangue devido à disputa por poder na favela.

A briga teve início quando Zarur quis trazer todo o comando da favela para a facção Amigos dos Amigos. Irritado com a mudança, o traficante identificado como Lion, que comandava a parte alta da favela sob as regras do Comando Vermelho , teria exterminado Zarur na madrugada de terça-feira. Desde então, o comando da parte baixa da favela passou para o traficante Eriomar Rodrigues Moreira, o Bem-te-vi, terceiro na linha de sucessão do traficante Luciano Barbosa dos Santos, o Lulu, morto em abril.

Apesar de confirmar a morte de Zarur, a polícia ainda não encontrou o corpo do traficante. Na favela, o comentário é de que ele e sua namorada – ainda não identificada – teriam sido queimados. Os dois foram assassinados dentro de uma casa, num lugar conhecido como Terreirão.

A polícia investiga qual a causa do assassinato, mas trabalha com a hipótese de que ele tenha sido vítima de uma emboscada. A possível traição teria sido armada pelo ex-comparsa Lion, que também mora na comunidade.

Ontem, novas denúncias levaram a polícia a fazer buscas no local. Em mais de oito horas, cerca de 30 policiais do 23º BPM (Leblon) e dois cães farejadores percorreram a mata nas imediações da Rocinha. Segundo o comandante do 23º BPM, coronel Jorge Braga, havia informações de que o corpo de Zarur estaria enterrado no meio da mata, próximo à parte alta da favela. Os policiais descobriram um rastro de sangue no matagal. Em grutas e buracos, foram encontrados uniformes da Polícia Civil, uma submetralhadora Uzi, uma carabina, dois fuzis, uma pistola e uma granada defensiva, além de munição para fuzil.

Até o início da noite de ontem, o serviço Disque-Denúncia recebeu sete informações sobre a suposta execução de Zarur. Coordenadora de Inteligência da Polícia Civil (Cinpol), a inspetora Marina Maggessi também acredita que, apesar dos rumores de uma nova guerra, atualmente os traficantes que dominam a favale pertencem a uma só facção.
Fonte: JB