Ceará na rota do tráfico de esteróides

Um relatório realizado pela Associação Brasileira de Estudos e Combate ao Dopping (Abecd) mostra que o Ceará está na rota do tráfico de esteróides anabolizantes, droga usada por praticantes de fisiculturismo e que pode, entre outras seqüelas, matar.

Abastecidos por fornecedores do Rio de Janeiro, marombeiros de Fortaleza são a cada dia mais adeptos de um tipo de droga que não causa alucinação. A viagem dos usuários das chamadas bombas está em ver os músculos inflarem com pouco tempo de exercício físico: um vício que se confunde com a vaidade.

O estudo divulgado pela Abecd, em 2002, alerta para o uso indevido das drogas, principalmente entre praticantes do fisiculturismo. ?A ação dos traficantes é proporcionada em vários esportes (musculação, lutas e vale-tudo), causando um crescimento da agressividade compulsiva da prática de tudo por dinheiro?, afirma trecho do relatório.

O presidente da Abecd, Alexandre Pagnani, afirma que o tráfico de anabolizante no Distrito Federal envolve pelo menos 15 pessoas. ?Elas trabalham como distribuidoras da droga em academias de ginástica e lojas freqüentadas por praticantes de musculação?. Pagnani – que também preside a Confederação Brasileira de Culturismo e Musculação – colheu o depoimento de usuários de esteróides em Fortaleza e no resto do País. “Consegui chegar aos nomes dos traficantes. Se a polícia não chega, é porque não quer”, desafia.

A cópia do dossiê foi entregue ao Ministério Público Federal. O documento, com mais de 300 páginas, já foi enviado à presidência do Senado e à Secretaria Nacional Anti-Drogas (Senad). A papelada alerta para a participação de médicos e professores de academias no esquema de distribuição de bombas. ?É grave o problema do doping e do narcotráfico destas substâncias no Brasil. Entidades desportivas, médicos e treinadores ultrapassam o limite da ética profissional e moral?, diz o documento.

Além do Ceará, os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Amazonas, Pernambuco e Distrito Federal são abastecidos por traficantes do Rio de Janeiro. Segundo o relatório da Abecd, as drogas costumam circular o País inteiro em pequenas quantidades – geralmente distribuídas pelos Correios. “Podem ser enviadas até 50 ampolas ou mais em uma caixa de 15cm x 15cm, sem qualquer desconfiança”, atesta o dossiê. Uma ampola custa em média R$ 15.

INTERNET – O documento aponta ainda para o uso da Internet e de celulares no esquema de distribuição de anabolizantes. ?As conexões funcionam por salas de bate-papo e por códigos popularmente conhecidos como marombas de academias, que se interligam na troca de telefones pré-pagos e até por serviços de encomendas a motoboys?.

A vice-presidente do Conselho Regional de Educação Física – seção Ceará (CREF – 5), Ione Borges, ressalta que os alunos de academias devem procurar saber se os profissionais são cadastrados junto ao conselho para terem uma maior segurança. ?Profissionais credenciados vão orientar que as pessoas não tomem essas drogas. Uma vez que o efeito desejado aparece rápido, mas os efeitos colaterais são gravíssimos?, diz.

Para o fiscal do CREF – 5, Antônio de Pádua Soares, o uso de anabolizantes está se tornando uma questão de saúde pública. ?É muito importante que a sociedade denuncie?, frisa.
Fonte: Diário do Nordeste