Tráfico de drogas perto da Catedral assusta comerciantes

Logo atrás da Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz de Curitiba, o prédio de uma casa de ferragens incendiado há cerca de seis anos, com seus andaimes de madeira e aspecto abandonado, serve de refúgio para ladrões e traficantes que atuam no centro da cidade. Um amontoado de papelão na sacada do edifício faz as vezes de esconderijo e quarto para marginais já conhecidos por comerciantes e pessoas que trabalham nas imediações. Eles costumavam se instalar na área interna da construção, mas há cerca de três semanas tiveram de desocupar o interior do imóvel, que agora está sob os cuidados de um vigia contratado pelo proprietário. A presença do guardião faz também com que os ?habitantes? do prédio se arrisquem numa escalada pelos andaimes para chegar à sacada numa cena que choca pelo absurdo e pela agilidade com que é realizada.

Apesar do esconderijo, a área de ação dos traficantes é notadamente toda a praça Tiradentes, onde há movimento constante de ?fregueses?, que chegam ao local discretamente e pegam as drogas num jogo rápido. O tráfico se intensifica à medida que as lojas fecham, por volta das 19h, e é ainda maior nos fins de semana. Se procuram ser rápidos na venda, os traficantes fazem questão de mostrar que são os donos do pedaço diante da presença de estranhos que considerem uma ameaça. Ao se darem conta da presença da equipe de reportagem, um rapaz se aproximou e ameaçou o fotógrafo da Gazeta do Povo de forma hostil. Para se ver livre do rapaz, o fotógrafo alegou registrar apenas a Praça Tiradentes.

A travessa Pe. Júlio de Campos conhecida há anos como o ?banheiro de Curitiba?, por conta do cheiro peculiar, também tem sido palco da atuação dos traficantes e punguistas. ?A rua é mal iluminada e serve de refúgio para bandidos?, reclama um comerciante, que não quis ser identificado na matéria, e que apesar de ter contratado um guardião, já teve sua loja arrombada duas vezes. Segundo ele, mesmo durante o dia, os transeuntes são interpelados pelos marginais, o que prejudica seu trabalho. ?Um imóvel como esse, parado, não traz atrativos. Quanto mais estabelecimentos abertos, mais forte será o comércio?, diz ele, que se queixa de ter sofrido uma diminuição na clientela, formada principalmente por mulheres.

A violência também é presente entre os próprios ocupantes da sacada. Segundo o dono de uma academia de ginástica das proximidades, um homem foi jogado do prédio abandonado no início deste ano. Desde que é proprietário da academia, o comerciante já sofreu oito assaltos. Apenas os vendedores de rua e taxistas afirmam conviver pacificamente com os marginais. ?Eles lá, a gente aqui?, comenta um taxista.

Policiamento

Apesar de ter realizado intervenções nas proximidades das ruas Cruz Machado e Saldanha Marinho, nas imediações da praça Tiradentes, o delegado da Divisão de Narcóticos prefere não revelar como tem atuado na área por motivos de segurança.
Fonte: Tudo Paraná