Levantamento revela que 26% dos jovens da Capital já provaram drogas

O perfil dos jovens porto-alegrenses, traçado pela Pesquisa Jovem 2004, indica que o consumo de drogas atinge um número considerável de adolescentes na Capital. Conforme o levantamento, divulgado nesta quinta, dia 15, 26% dos 600 pessoas entre 13 anos e 19 anos consultados confessam já ter experimentado algum tipo de droga além do álcool, e 12% consideram normal ter drogas na balada. Conforme Suzana Carvalho, diretora da Rodhe & Carvalho Diagnóstico e Pesquisa, 82% dos jovens costumam sair à noite e 34% confessam achar difícil encarar uma festa sem ingerir bebidas alcoólicas.

A avaliação, que integra o Projeto Fala Porto Alegre, uma parceria entre as empresas Rodhe & Carvalho Diagnóstico e Pesquisa e a Uffizi ? Consultoria em Comunicação, apontou contradição dos entrevistados, pois 74% dos afirmam que o cigarro não está com nada. Apesar disso, a saúde não está entre as grandes preocupações. De acordo com a pesquisa, 72% gostam de fast-food e 34% não praticam nenhum tipo de atividade física.

A pesquisa revela ainda que a vida sexual dos rapazes e moças tem iniciado cada vez mais cedo, e já é uma realidade para 55% dos entrevistados, sendo que 67% afirmam usar camisinha. Em 68% dos casos, os pais são os mais procurados para esclarecer dúvidas sobre sexo. Aliás, a família parece permanecer como uma instituição a ser preservada em um mundo de efemeridades e celebridades: as mães são a figura feminina mais admirada por 50% dos jovens porto-alegrenses, enquanto os pais aparecem com 35% da preferência relativa à figura masculina, e ambos são precedidos pelas avós (5%) e avôs (4,1%). Acreditam em Deus 91% dos consultados, 74% têm alguma religião, e 13% participam de ONGs.

Do total de 600 jovens ouvidos, 13% pertencem à classe A, 36% pertencem à classe B e 51% integram à classe C. Um total de 79% dos entrevistados não trabalham, 94% estudam e 21% já integram o mercado de trabalho. Entre aqueles que estudam, 74% são alunos da rede de ensino público e 26% de escolas particulares. Uma das preocupações mais recorrentes para estes meninos e meninas está relacionada aos seus futuros (84%), incluindo-se aqui, o tão temido vestibular (75%) e a indecisão quanto à escolha profissional (51%).

Se o amanhã preocupa e o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, o diferencial destes adolescentes pode estar no fato de integrarem a primeira geração de jovens a conviver tão intensamente com a tecnologia: 66% têm celular, 36% dos entrevistados possuem computador, 33% Internet e 30% já trocaram seus aparelhos de VHS pelo DVD. A tecnologia encurta distâncias e também facilita a comunicação: 17% são adeptos do celular, e 27% utilizam as mensagens da mesma.

A leitura mais habitual, porém, tem formas antigas: 41% dos jovens afirmam ler jornais, 30% preferem as revistas e 27% gostam dos livros, sendo 29% não leitores declarados. A televisão, por sua vez, figura como alternativa de entretenimento, garantindo sua audiência em programas como Malhação (27%), novelas (25%) e esportes (13%).

Quanto à diversão, os shopping-centers são os lugares mais citados, contando com a freqüência de 55% dos entrevistados. As salas de cinema (39%) e os parques (31%) também aparecem entre as preferências destes adolescentes. Estas escolhas parecem intimamente ligadas às questões de segurança, pois 23% dos adolescentes revelam-se preocupados com a violência e 26% têm medo da morte.
Fonte: Clic Notícias