DPOC – Doença pulmonar obstrutiva crônica

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma anormalidade ligada, basicamente, ao hábito de fumar. Ela se caracteriza por distúrbio do fluxo do ar expirado dos pulmões e é provocada pelo enfisema e/ou bronquite crônica.

O enfisema é uma doença que ocorre nas unidades terminais respiratórias do pulmão, com destruição do tecido pulmonar pela ensima elastase. Assim, no enfisema, o pulmão perde a sua elasticidade, fazendo com que sua função principal, de trocas gasosas entre o oxigênio e o gás carbônico, fique comprometida.

A bronquite crônica é um processo inflamatório das vias aéreas, com produção excessiva de secreções e de muco. Na bronquite crônica, o indivíduo tem tosse persistente, com eliminação constante de catarro.

A American Thoracic Society define a bronquite crônica como situação clínica na qual a tosse com eliminação de catarro ocorra durante três meses ao ano, há pelo menos dois anos. Embora as definições das duas condições sejam diferentes, é comum o indivíduo desenvolver ambas, mas com predomínio de uma sobre a outra.

A doença pulmonar obstrutiva crônica causa vários problemas e sofrimento, e é causa frequente de morte. Ela é muito difundida e estima-se que, nos Estados Unidos, mais de 14 milhões de pessoas estejam acometidas pela DPOC. Só em 1992, mais de 90 mil pacientes morreram.

O hábito de fumar é a principal causa da doença, mas há indicações de que outros fatores ambientais possam contribuir para que o seu surgimento. Entre eles, estão as infecções respiratórias repetidas, ocupações de risco, poluição do ar, exposição passiva ao fumo e dietas (maior consumo de peixes). Outro fator de risco, principalmente para o enfisema, é o fator genético. Isto se deve, na maioria dos casos, à comprovação de casos em que ocorre a deficiência de enzimas, relacionadas à destruição do parênquima pulmonar.

O sistema respiratório

Participam da respiração todas as estruturas que contribuem para o processo da troca de gases no organismo. Além dos pulmões, formam o sistema respiratório a nasofaringe, as vias aéreas superiores, a caixa torácica, os músculos envolvidos na respiração, as porções do cérebro e a parte do sistema nervoso envolvida na regulação da ritmicidade respiratória.

O caminho pelo qual o ar se introduz no organismo também é chamado de sistema traqueo-brônquico e se divide em vias aéreas cartilaginosas, ou brônquios, e membranosas (não cartilaginosas), que são os bronquíolos. A traquéia, os brônquios e os bronquíolos não respiratórios têm a função básica de conduzir o ar até as porções distais, onde ocorrem as trocas gasosas.

Os bronquíolos respiratórios, os dutos e sacos alveolares são responsáveis pelas trocas gasosas e constituem as unidades respiratórias terminais. O enfisema ocorre devido à anormalidade nas unidades respiratórias terminais, enquanto que na bronquite crônica a inflamação atinge toda a árvore respiratória. Junto com alguns casos de asma, ela constitui a doença pulmonar obstrutiva crônica.

Em resumo, a bronquite crônica é uma doença das vias aéreas, que induzem o ar, e o enfisema acomete o próprio parênquima pulmonar, onde se processam as trocas gasosas. A DPOC engloba as duas doenças.

Enfisema e bronquite

O principal sintoma do enfisema é a dispnéia aos esforços. Em geral, ocorre falta de ar e cansaço após pequenos esforços. Na bronquite crônica, os principais sintomas são tosse com expectoração crônica e chiado no peito, além de dispnéia nos momentos de exacerbação da doença, na maioria dos casos relacionados à infecção brônquica.

O tipo físico do paciente com enfisema pulmonar predominante geralmente difere daquele com bronquite crônica. Na primeira, existe predomínio de longilíneos magros ( “pink puffers” ), enquanto na segunda há mais brevilíneos baixos ( “blue blouters” ) e com algum grau de obesidade.

A cianose (extremidades azuladas por falta de oxigenação) é mais frequente nos “blue blouters” do que nos pink puffers. O tórax do indivíduo com enfisema apresenta, muitas vezes, deformidade chamada “em barril”, pela sua forma.

No enfisema pulmonar, a ausculta do tórax é pobre, com diminuição dos ruídos respiratórios, ao contrário da bronquite crônica, na qual predominam roncos e sibilos (chiado no peito). O paciente com a doença apresenta, com maior frequência, complicações cardiovasculares, com o desenvolvimento de hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca.

Para o diagnóstico de DPOC em geral o paciente apresenta história de hábito de fumar, de poluição do ambiente profissional ou atmosférica e os sinais e sintomas já descritos.

Para comprovação diagnóstica o RX de tórax é o exame mais usado mas apresenta suas limitações. Pacientes idosos, longilineos apresentam o tórax em uma situação de inspiração devido à perda de elasticidade senil, não significando doença, mas que frequentemente, levam á confusão com o verdadeiro enfisema pulmonar.

Além disso o Rx de tórax em geral, só mostra alterações características para o diagnóstico em fase avançada da doença. Assim podemos não fazer o diagnóstico radiológico nas fases iniciais e diagnosticar enfisema em pessoas normais.

O exame considerado mais sensível e específico para diagnóstico de enfisema pulmonar é a tomografia computadorizada de alta resolução, exame cada vez mais acessível.

Tratamento

Sabe-se que a DPOC evolui pela permanência dos fatores etiológicos (principalmente o fumo) e pelo aparecimento de infecções respiratórias de repetição.

É sempre útil o abandono do hábito de fumar.

Para a profilaxia de infecção usa-se a imunização anti-gripal, anti-pneumocócica e anti-haemophilus, agentes responsáveis mais comuns pelas infecções respiratórias.

Nas fases avançadas da doença a dispnéia, devido á má oxigenação, pode ser aliviada com o uso da oxigenioterapia domiciliar que também atua diminuindo a hipertensão pulmonar que esses pacientes desenvolvem.

O uso de antibióticos nos episódios de infecção é importante.

Usam-se também broncodilatadores, anti-inflamatórios e corticoterapia.

A fadiga dos músculos respiratórios está presente na evolução da doença. Várias técnicas de reabilitação pulmonar foram desenvolvidas levando à criação de grupos multidisciplinares que incluem fisioterapêutas, psicólogos e enfermeiros com o intuito de manter em nível máximo a independência e a atividade do indivíduos na comunidade, visto que a DPOC é um processo incapacitante, pela dispnéia que impede o paciente para as suas funções habituais e, em fases avançadas, o torna totalmente dependente para higiene, alimentação e locomoção.

O recurso mais moderno na DPOC muito avançado com predominância de enfisema, tem sido a cirurgia pulmonar redutora, que consiste em retirar parte dos pulmões que já não atuam nas trocas gasosas, permitindo que a musculatura respiratória (principalmente o diafragma) recupere parte de sua função, com melhora de oxigenação e da eliminação de gás carbônico.
Fonte: Milton Artur Ruiz (Colaborou o médico Virgílio Aguiar)