Medo Nas Escolas!

A onda de violência que assola o país invadiu um território até a pouco tempo intocável: a escola. Alunos armados nas salas de aula, crianças que matam a tiro seus colegas de turma, professores intimidados e outros assassinados porque enfrentaram jovens ligados ao tráfico de drogas, são histórias estampadas nos noticiários com freqüência assustadora…

Medo e insegurança são sentimentos que fazem parte do dia-a-dia de muitos professores e alunos. Principalmente, daqueles que freqüentam o noturno e enfrentam uma clientela que inclui estudantes e “visitantes” drogados, armados e perigosos. Ousadas, muitas gangues e até mesmo traficantes fazem ponto na frente da escola, atraindo alguns alunos e aterrorizando outros que estudam à noite para trabalhar durante o dia. A escola virou, muitas vezes e em certos lugares, uma praça de guerra, ponto de encontro ou de choque entre gangues e grupos rivais.

Muitos especialistas, e os próprios professores (uma grande maioria) declaram que não há como lutar contra esse problema. A saída é a convivência. Isso porque o poder público não interfere, não busca soluções. Campanhas de prevenção, palestras, declarações antidrogas são tentativas muito tímidas para a situação vivida nessas escolas, onde alunos e professores vivem no limite da morte.

Quando se pensa no setor “escola” as preocupações aumentam, visto ser a escola o local onde formar, informar, treinar, capacitar, ou seja, preparar para o futuro são as prioridades. A insegurança e o medo dos professores, dos alunos e dos pais, afeta o processo pedagógico. Você não pensa com medo, não aprende com medo e não ensina com medo. E sem dúvida, tarefas de tamanha relevância não tem condições de se desenvolverem de forma efetiva quando existem simultaneamente o uso de substâncias que alteram o funcionamento da mente e a qualidade de vida das pessoas. A escola passa a ser subordinada à lógica desses grupos, ambientes e interesses. Outro e grave problema a ser registrado é quando existe a possibilidade de que um traficante freqüente o colégio. “Já presenciamos cenas de estudantes utilizando drogas até mesmo dentro da sala de aula”, declarou uma professora municipal.

Conseqüência disso tudo é que, infelizmente, muitos pais estão tirando os filhos da escola, tamanha é a preocupação. Ou, muitas vezes, professores evitam de repreender determinados alunos, temendo represálias. “Todos tem medo do que pode ocorrer”.

DICAS: PARA O GOVERNO, EDUCADORES E AOS PAIS

Diretores, professores e educadores, devem se unir aos pais na educação das crianças e adolescentes a respeito dos perigos das drogas. Quando são bem orientados com fatos reais e científicos, eles podem mudar as atitudes de comportamento.

Toda escola deve estar preparada para interferir na eventualidade do aparecimento de usuários de drogas entre os seus estudantes. Professores que percebem entre seus alunos aqueles que ficam indiferentes e desligados nas classes, sonolentos ou, ao contrário, inquietos e excitados e com mudanças bruscas no comportamento, devem saber como enfrentar tal tipo de problema porque uma das grandes possibilidades é o caso de uso de drogas. Identificado claramente o usuário, medidas punitivas drásticas não ajudam muito. Procurar ajudá-lo deve ser a tônica da atitude do professor.

O crescimento no consumo de drogas deve servir de alerta para pais, educadores e governo. O aumento do tráfico e do consumo de tóxicos ocorreu rapidamente e a orientação sobre o assunto não se deu no mesmo ritmo. É preciso que os pais se informem mais sobre a problemática. Os pais devem aumentar a atenção sobre o comportamento dos filhos, seus horários de chegada e saída, sem que isso seja feito de maneira “policialesca”. Mesmo que possam demonstrar o contrário, os filhos gostam de se sentir protegidos. Agir com firmeza e ternura.
Fonte: Cruz Azul