Detento usava Correios para traficar drogas

A apreensão de cinco gramas de crack revelou a existência de um esquema sofisticado de tráfico de drogas dentro da penitenciária de segurança máxima Barreto Campelo, em Itamaracá. Na última terça-feira, graças a uma denúncia anônima, uma mulher foi revistada quando se preparava para entrar no complexo. Com ela, estava a encomenda que seria destinada ao detento José Almir Wesley Fernandes Lisboa, 34 anos, que conseguia um lucro semanal de R$ 2.000,00 com a distribuição de pedras de crack dentro dos muros do presídio. Autuado ontem na Delegacia de Itamaracá, ele confessou que vinha praticando o esquema há dez meses, primeiro no Presídio Aníbal Bruno e depois na Barreto Campelo, para onde foi transferido em maio deste ano. O crack – pasta básica de cocaína – era enviado da cidade de Contagem, Minas Gerais, através do serviço Sedex dos Correios.

“A mulher era o avião do esquema. Ela levava a droga numa garrafa térmica ou dentro da quentinha do detento”, afirmou o delegado de Itamaracá, Gilmar Rodrigues. Segundoele, José Almir confessou ser o destinatário da encomenda para não incriminar os oito companheiros de cela. Em depoimento prestado ontem, o acusado afirmou que contava com ajuda dentro da penitenciária para receber e distribuir o crack. “A mulher trazia uma pedra grande e ele a quebrava em partes menores, revendendo-as por R$ 5,00, R$ 10,00 e R$ 15,00. Se houvesse um comprador interessado, um pedaço maior, do tamanho de um botão de camisa, sairia por R$ 150,00”, afirmou o delegado.

Condenado a 34 anos de prisão por assalto a mão armada, o detento José Almir é paulista e cumpre pena há 22 anos. Autuado no artigo 12 da Lei 6.368 de 1976, ele poderá ser condenado a mais 15 anos por causa do tráfico de drogas. Depois de ouvir os seguranças que fizeram a revista na mulher -uma baiana que mora no Recife, de identidade não revelada – o delegado encaminhou o acusado ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima. De lá, ele deverá ser transferido para o Presídio Aníbal Bruno.

cachaça – No primeiro trimestre desteano, foram apreendidos na Penitenciária Barreto Campelo 397 papelotes de maconha, 60 comprimidos de entorpecentes, 101 pedras de crack e 43 litros de cachaça artesanal. De acordo com o gerente de Operações de Segurança da Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres), major Leandro Silva, o volume de drogas encontrado dentro do sistema prisional em Pernambuco ainda é pequeno em comparação com outros estados. “O número de agentes penitenciários é reduzido, mas a vigilância é satisfatória”, explicou.

Até março do ano passado, nenhuma pedra de crack havia sido apreendida na Barreto Campelo. A droga recebeu este nome porque a mistura leva o aspecto de pedras de cocaína (rocks) que são quebradas (crack) para então serem fumadas.
Fonte: Pernambuco