Homens, mulheres e as drogas

Tanto os homens quanto as mulheres consomem drogas. Entretanto, as características físicas de cada sexo associadas às influências sócio-culturais condicionam diferentes tipos de uso e efeitos diferenciados das drogas em cada sexo.

Diferenças

As mulheres, por exemplo, metabolizam o álcool de forma distinta devido a uma maior proporção de gordura no corpo e, conseqüentemente, menor proporção de água. Sendo assim, o álcool ingerido é absorvido de forma mais intensa, causando maiores efeitos entre as mulheres, mesmo tendo consumido a mesma quantidade que os homens.

Pesquisas recentes mostram que, tendo em vista a cultura de valorização do corpo, esteróides anabolizantes são mais consumidos pelos homens. Já as mulheres, fazem mais uso de anfetaminas (como os remédios para emagrecer) e barbitúricos (tranqüilizantes, calmantes).

Preconceito

A sociedade posiciona-se de forma diferente diante do consumo de drogas entre homens e mulheres. A mulher dependente química é, muitas vezes, vista como promíscua e sexualmente disponível. Devido a este estigma, tende a ocultar sua dependência para evitar discriminações que poderão repercutir em diferentes dimensões de sua vida, como no trabalho e na guarda dos filhos, em caso de separação conjugal.

Mitos e verdades

Existem muitos mitos na área de dependência química, no que se refere a homens e mulheres. Até algumas décadas atrás, acreditava-se que os efeitos da dependência do tabaco eram mais intensos nos homens. No entanto, as novas gerações de fumantes estão evidenciando que as mulheres são igualmente, ou mais, suscetíveis aos malefícios do fumo, principalmente devido às peculiaridades do sexo, como a gestação e o uso de pílula anticoncepcional. O risco de câncer, problemas cardíacos e pulmonares em mulheres jovens que usam anticoncepcionais ? a base de hormônios – e fumam, chega a ser dez vezes maior se comparado àquelas que não fumam e usam anticoncepcionais.

A análise desses fatos evidencia a necessidade de se refletir sobre o uso de drogas por homens e mulheres para definir políticas e encaminhar ações que levem em consideração as especificidades de cada sexo.
Fonte: NETPSI