Redução de danos

Redução de danos… é uma política social que tem como objetivo prioritário minorar os efeitos negativos decorrentes do uso de drogas. É uma prática que tem como objetivo reduzir as conseqüências adversas decorrentes do consumo de drogas lícitas e ilícitas, mas que, recentemente, ganhou maior ressonância pelo seu emprego no que diz respeito aos usuários de drogas ilícitas. A redução dos danos decorrentes do uso de drogas tem origem no Relatório Rolleston, de 1926, que concluía que a manutenção de usuários por meio do emprego de opiáceos é o tratamento mais adequado para determinados usuários.

Antes do aparecimento da AIDS, apesar dos graves problemas associados ao uso indevido de drogas (principalmente em relação ao uso pela via endovenosa), a preocupação principal dos profissionais da área estava dirigida ao problema da dependência, e não às doenças infecciosas e/ou contagiosas associadas a essa prática. Tanto leis (que em geral puniam o uso) quanto modelos de tratamento eram orientados essencialmente à prevenção ou à “cura” do uso de drogas.

Com o aparecimento da AIDS, nova rede conceitual se desenvolveu em relação ao uso de drogas (…) Um problema médico (a contaminação pelo vírus da AIDS – o HIV) associado a um comportamento específico, o compartilhamento de seringas e agulhas, tornou-se o foco das atenções, em lugar do problema da dependência.

Como a transmissão do vírus ocorre somente em função do compartilhamento do equipamento de injeção e não por simples uso da droga, é possível evitar o contágio do HIV sem que haja obrigatoriamente a interrupção desse uso. A partir de então, para muitos, por causa desta necessidade urgente de se prevenir a infecção pelo HIV entre UDIs (usuários de drogas injetáveis), surge um movimento de prevenção chamado de “redução de danos”, cuja a idéia central poderia ser descrita assim: “Não sendo sempre possível interromper o uso de drogas, que ao menos se tente minimizar o dano ao usuário e à sociedade”.

Redução do risco ou redução do dano são termos freqüentemente usados como sinônimos. O risco se relaciona à possibilidade de que um evento possa ocorrer, o dano deve ser visto como a ocorrência do próprio evento. Desse enfoque, evitar o dano seria uma atitude mais pragmática do que evitar o risco (nem sempre ocorre necessariamente um dano, em uma situação onde há risco).
Fonte: SEJUSP